Reporto-me à carta nesta coluna JC (24/10), sob o título Aposentados Desprezados, de autoria do professor Haroldo Tessari.
O assunto comporta ser ressaltado.
Reportagens publicadas no O Estado de S. Paulo, dias (16 e 17/10), noticiam, respectivamente: governador Geraldo Alckmin concedeu bônus de R$ 2.340,00 em média, a título de assiduidade e produtividade aos professores da ativa.
Segundo o governador, esse bônus representa o 14.º e 15.º salários juntos.
A outra reportagem focaliza a situação dos aposentados das universidades federais afirmando que é uma das questões mais complexas na tumultuada relação entre o Ministério da Educação e os sindicatos dos grevistas. Os sindicatos alegam que os reajustes concedidos por meio de gratificação de estímulo e produção, aumentam as diferenças salariais entre aposentados e ativos.
Isso comprova que tanto o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, quanto o governador Geraldo Alckmin, ambos do (PSDB), têm no aposentado o empecilho, o estorvo, no reajuste salarial do pessoal em atividade.
Trata-se de uma atitude etarista, própria de quem nutre preconceito de idade contra a velhice. Esse comportamento desumano me faz evocar o livro A Velhice no Brasil, de Mário Filizzola (1972).
No tempo do Brasil Colônia, o trabalhador não se desligava do serviço ativo para se aposentar, para desfrutar do merecido descanso pelos anos trabalhados.
O autor escreve que o Conde de Resende, 5.º Vice-Rei, em 1793, em defesa dos soldados idosos, doentes e desamparados, dirigiu-se à Corte afirmando que os soldados velhos, pelos seus serviços prestados se fazem dignos de uma descansada velhice. Justificava que os pobres soldados que a velhice ou as enfermidades forçam sair do Corpo da Guarda, se vêem obrigados a arrastar uma miserável existência nas ruas do Rio de Janeiro, onde procuram interessar os transeuntes, para sobrevivência. E o Estado, em recompensa aos valiosos serviços de seus velhos soldados, simplesmente os deixa morrer na miséria.
Brasil Colônia (1793), Brasil República (2001), 208 anos passados, o Governo da Social Democracia Brasileira (PSDB), ao invés de respeitar os aposentados, assegurando-lhes uma velhice segura, descansada, em recompensa aos valiosos serviços prestados, ao contrário, regride ao tempo do Brasil Colônia.
Essa política salarial de conceder gratificação com variados títulos, que não se incorporam aos vencimentos, prejudica o funcionalismo em atividade e aposentados. Não recompõe a perda salarial causada pela inflação e burla o direito do servidor, pois, não incorporando aos vencimentos, não é incluída no cálculo dos adicionais e da sexta-parte. Ainda, o desrespeito torna-se mais gritante, quando a gratificação concedida ao pessoal da ativa exclui os aposentados.
É como afirmou o colega professor Tessari, em sua carta: PSDB, o antraz dos aposentados!.
Decepcionante! Inacreditável! (Rodolplo Pereira Lima)