Quero aqui compactuar com a emérita Isolina Bresolin Viana com relação às oportunas observações acerca da absurda e vergonhosa tentativa de reserva de vagas para negros nas faculdades. Primeiramente, iniciaria o debate com indagações: O que o negro tem de melhor com relação ao índio? Ou, o que tem de melhor que os brancos de classe baixa que também não tem acesso às universidades?
Repare-se que a simples abordagem desse tema, nesse sentido, já causa repulsa porque induz a uma triste discriminação e combatê-la é, exatamente, não se fazer distinção alguma para esta ou aquela pessoa em razão de sua cor. Afinal, não é exatamente isso que os representantes das lideranças negras no Brasil desejam? O problema das universidades não é a cor de seus candidatos, mas a condição social que obriga a sociedade de baixa renda a sofrer nas mãos de uma educação pública cada vez mais depauperada; estudar no ensino público (agora agravado pela ausência de provas) tornou-se certificado de semi-analfabetismo, posto não preparar a maioria esmagadora de seus estudantes para qualquer exigência intelectual. S, SS, cedilha, X, o M antes do B e do P, são regras simples que adolescentes em fase vestibular desconhecem. Que se dizer então do conteúdo de matérias História, Geografia, Ciências, etc.
Não digo, com isso, que quem estude no ensino público não seja inteligente, mas não tem preparo educacional, conhecimento profundo das matérias fundamentais quais se tinha no passado ou se tem hoje no ensino privado. O processo seletivo das faculdades não impede o acesso de negros, índios ou brancos, mas de quem não tem conhecimento suficiente para ser aprovado.
Que se retomem as provas no ensino público, invista-se nos professores, dando-lhes condições técnicas e materiais para desenvolver seus misteres e outorguem-lhes autoridade para reprovar o incompetente, que se pare de tapar o sol com a peneira, que se pare de brincar com a tecnocracia devastadora (preocupação em fornecer à Unesco apenas números), e teremos um País com um povo mais culto, ainda que pobres em sua grande maioria.
Pobreza não é sinônimo obrigatório de burrice; normalmente andam juntas porque interessa ao Governo gerar um povo que não tenha condições de raciocinar com uma cultura intelectualizada e politizada. Contudo, ainda que nada se faça nesse sentido, querer rebaixar a qualidade do ensino superior - tal qual se fez com o ensino fundamental e médio reservando vagas a quem não tem condições intelectuais de demonstrar sua capacidade, seja ele branco, negro, índio ou quem quer que seja, é o cúmulo da idiotia e imbecilidade humana. Tenho medo pelo futuro deste Brasil. (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173)