Geral

Adeus ao retrocesso?

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Estatísticas recentes estão indicando que o nosso País cresceu menos no longo decurso dos anos 90. Comprovam, então, tudo quanto a opinião pública, sempre de olhos e ouvidos abertos, já tinha constatado desabstraidamente. E constatado com coerência diante das evidências do amplo recuo assinalado por nossa economia naqueles meses do período. Um retrocesso que os economistas debitam não só às próprias dificuldades financeiras nacionais, como, em pé de igualdade, a algo assim como o que até o declínio do desenvolvimento ocorrido pela terra afora possa ter afetado também as nações do nosso continente. Sinceramente - pergunta-se - poder-se-ia acreditar que tenham os países ricos, opulentos, despencado também para a onda diminutiva, logo eles que, além de possuírem amplos recursos latentes para não terem pela frente obstáculos maiores, detêm nas próprias mãos a economia dos menores? Difícil, muito difícil, conceber-se corretamente, mas, se assim o dizem os catedráticos, não podem deixar de ser acolhidos, ainda que com algumas reservas. Contudo, anima-nos a previsão, também anunciada, de que o Brasil está saindo do retrocesso, devendo crescer até o final do ano mais que 1% e, no esperado 2002, entre 2% e 3,5%, montante animador não obstante aqueles desanimadores 4,46% assinalados no ano passado. E isso é sem dúvida expressivo, já que surge como uma grande esperança para todos, pois que o desenvolvimento previsto reduziria muito a pobreza que assola a maioria da comunidade brasileira. Então, urge que torçamos por ele. Não obstante, há uma altíssima montanha no caminho, no cimo da qual se encontram os entraves burocráticos ao investimento e ao comércio, diminuta possibilidade de inovação industrial, óbices na educação, alto custo do capital e muitas dubiedades advindas da dívida pública altíssima, obstáculos esses que precisam ser removidos imediatamente da nova agenda da evolução no País, sem o que, nada feito...

É tudo quanto anunciam as estatísticas? Não, ainda bem que não, porquanto, apesar dos pesares, ou melhor, a despeito dos contras que escurece o cenário, elas revelam também que os números e as circunstâncias estão nos acenando, como acima frisamos, com o gratíssimo prenúncio de que estamos saindo do retrocesso em que nos achamos mergulhados. É o que vale! E é a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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