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Polícia indicia carcereiro por fugas

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Inquérito encerrado ontem pela Delegacia Seccional concluiu que Fernando César Rodrigues ajudou na fuga do Cadeião.

O inquérito policial instaurado pela Delegacia Seccional para apurar a fuga de 89 presos da Cadeia Pública de Bauru, o Cadeião, ocorrida no último dia 11, foi concluído ontem e apontou que o carcereiro Fernando César Rodrigues ajudou na ação, apresentada inicialmente como um resgate. Rodrigues foi indiciado por formação de quadrilha, facilitação de fuga e corrupção passiva.

Outras três pessoas - dois presos que fugiram no dia 11, e um ex-presidiário do Cadeião, que no dia da fuga já estava em liberdade - também foram indiciadas. O delegado corregedor da Delegacia Seccional, Antônio Carlos Piccino, que conduziu o inquérito, pediu a prisão preventiva dos quatro indiciados.

O carcereiro é acusado de, pouco antes da fuga, por telefone, ter avisado o grupo que fez o resgate que aquele era o momento de agir. Em troca, segundo o ex-presidiário Douglas Rogério Reducino, que também está sendo indiciado, Rodrigues receberia R$ 15 mil. O carcereiro nega que tenha ajudado na fuga e afirma que foi abordado por dois homens, armados, que o ameaçaram de morte.

Rodrigues está preso temporariamente no Presídio da Polícia Civil, em São Paulo desde a semana passada. Outro indiciado é Reginaldo José dos Santos, que também usava o nome de Francisco Márcio Fernandes Saraiva, que foi recapturado pela Polícia Civil no mesmo dia da fuga, em Tatuí.

Santos havia sido preso em Bauru por tentativa de roubo, seria o líder de uma quadrilha em São Paulo e o alvo do resgate do dia 11. Outro indiciado é Cláudio Donizete de Oliveira, que fugiu no dia 11 e ainda não foi recapturado. Ele havia sido preso junto com Santos, também por tentativa de roubo.

Uma equipe do Departamento de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo está trabalhando na Capital para localizar e recapturar Oliveira. O quarto indiciado no inquérito da Polícia Civil é o ex-presidiário Douglas Rogério Reducino, acusado de fornecer sua casa, em Bauru, para que o grupo que veio de São Paulo aguardasse o momento apropriado para fazer o resgate.

Reducino foi quem denunciou que Rodrigues teria ajudado na fuga dos presos. A conclusão do inquérito foi enviada ao Fórum de Bauru ontem à tarde. A decretação ou não da prisão preventiva dos indiciados depende do entendimento do juiz. Piccino, para apurar a fuga, solicitou a quebra do sigilo bancário e telefônico do carcereiro, mas ainda não recebeu as informações pedidas.

O delegado ouviu várias pessoas sobre a fuga, incluindo o preso recapturado Cleber Antônio da Silva, atendendo à solicitação do advogado de Rodrigues, Carlos Alberto dos Rios. De acordo com o delegado, o depoimento de Silva foi contraditório, mas deixou claro que a fuga foi tramada dentro do Cadeião pelos presos Reginaldo José dos Santos e Cláudio Donizete de Oliveira.

Santos, em depoimento, admitiu que fez ligações telefônicas de dentro da cadeia através de um celular que lhe pertencia. Além de responder ao inquérito policial, o carcereiro Fernando César Rodrigues também poderá ser penalizado administrativamente. Piccino aguarda apreciação pelo delegado-geral da Polícia Civil à solicitação de instauração de processo administrativo, que pode culminar até com a demissão compulsória do carcereiro.

Faltam funcionários no Cadeião

O problema mais urgente da Cadeia Pública de Bauru, o Cadeião, é a falta de carcereiros. Ontem à tarde, o delegado Roberval Fabbro, que assumiu anteontem a direção da unidade, contava apenas com dois carcereiros para trabalhar 24 horas.

Ontem à noite, o plantão seria feito por um carcereiro de Piratininga, que foi remanejado para Bauru pela Delegacia Seccional a pedido de Fabbro. No entanto, a medida era válida apenas para um plantão. Hoje, ele terá que encontrar outra saída para a falta de funcionários.

O delegado contou que a área mais crítica é a da carceragem porque dois funcionários estão em licença médica; um estava, ontem, em São Paulo fazendo exames médicos e pode também ter licença médica. Outro carcereiro está em fase de readaptação e outro, Fernando César Rodrigues, está afastado e preso.

A Cadeia de Bauru conta com duas carcereiras, que trabalham na área administrativa. Ontem à tarde, a unidade abrigava 121 detentos. Dos 89 que fugiram no dia 11, 49 foram recapturados. Também ontem, os vereadores José Eduardo Ávila, pastor Luiz e José Walter Lelo Rodrigues, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, visitaram o delegado Roberval Fabbro.

Eles entregaram ao delegado uma cópia do requerimento feito pela Comissão de Direitos Humanos ao comando da Polícia Militar de Bauru no sentido de manter segurança externa no Cadeião 24 horas. Hoje, os vereadores devem enviar ao deputado estadual Renato Simões, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, cópias do pedido de segurança externa 24 horas; do relatório da visita à Cadeia feita pelos vereadores e do laudo da Vigilância Sanitária, que indicou que as condições do Cadeião são precárias.

Também devem enviar ao deputado cópia da ação protocolada na Vara da Execuções Criminais de Bauru pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara e da Subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e que pede a interdição do Cadeião.

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