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POR QUE A GREVE NÃO ACABA?

Elizabeth Mattiazzo Cardia
| Tempo de leitura: 2 min

Servidores do INSS estão em greve há mais de 100 dias. O patrão desses servidores faz de conta que essa greve não é responsabilidade sua. Enquanto tenta aprovar no Congresso alteração da lei que regulamenta as relações de trabalho nas empresas privadas, fazendo prevalecer o negociado sobre o legislado, dentro da sua própria casa não se digna negociar.

Não é por acaso. É do interesse desse governo livrar-se de todos os compromissos com a população. Saúde (só funciona bem na propaganda oficial) e Educação (o governo luta para ficar responsável apenas pelo ensino fundamental) são serviços que custam dinheiro e o dinheiro brasileiro deve prioritariamente ser canalizado para o pagamento de juros.

Já o dinheiro da Previdência é filão avidamente disputado pelos bancos e seguradoras e faz parte do pacote de acordos com banqueiros internacionais a transferência desses recursos ($$) para a iniciativa privada. Previdência solidária? Nem pensar! Quem pode, tem. Quem não pode, se sacode.

Por tudo isso, greves na saúde, na educação e na previdência nem fazem cócegas nos narizes dos habitantes do Planalto! Assim não dá! E nós, cidadãos, donos do dinheiro (são nossos impostos que estão sendo administrados pelo Governo) assistimos sem reclamar...

O Governo Federal tem que negociar com os grevistas. Qualquer patrão faz isso! Ao desrespeitar o funcionário do povo, o Governo desrespeita o povo!

O Governo Federal também tem que cumprir leis. Todos nós temos! Bastava que a Constituição Federal estivesse sendo cumprida e a greve não teria ocorrido.

Se aceitarmos que o Governo se coloque acima das leis, estamos aceitando o enterro da democracia. Ao tentar impedir que a Previdência Social seja transformada numa sucata a ser vendida a preço de bananas, os funcionários do INSS estão lutando pelo próprio emprego, sim. Mas, estão, principalmente, tentando evitar que, no futuro deste Brasil, nós tenhamos que trombar nas esquinas com idosos de rua, como já está acontecendo em tantos países que desprestigiaram a Previdência Social Pública.

Senhores vereadores de Bauru: que tal fazermos uma moção exigindo do Governo Federal mais negociação e menos truculência na resolução do impasse criado pelas greves? (Elizabeth Mattiazzo Cardia RG 4.870.982-7)

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