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Bauru sem pichadores e uma patada do Leão

(*) B. Requena
| Tempo de leitura: 3 min

Numa iniciativa bastante louvável, pois busca melhorar as condições, a paisagem, enfim o ambiente de Bauru, o vereador Rodrigo Agostinho está propondo a proibição da venda de tinta em spray para os menores de idade dentro do município.

A medida, segundo o entender do vereador, tem por objetivo barrar o acesso dos pichadores ao principal produto com o qual tornam a imagem de nossa cidade a pior possível, com aparência de fim de guerra ou terra de ninguém, embora não se desconheça que há muita gente trabalhando por uma cidade mais humana, mais bela, de progresso e muita urbanidade.

Apesar, vale ressaltar, da boa vontade do vereador, se implementada, tal medida poderá não ter nenhum resultado prático se não for acompanhada de uma série de outras. Isto porque, talvez, a metade dos pichadores de Bauru seja constituída de homens, maiores de idade. Não são cidadãos, mas são senhores, homens, que se dedicam a uma prática tão marginal, incompreensível e odiosa. E se até agora os maiores delinqüentes vinham usando os menores, para ficar livres de muitos problemas com a polícia e com a justiça, doravante passaria a ocorrer o contrário. Isto porque no bando de pichadores, os menores iriam passar esta missão tão simples que é de adquirir o spray, a tinta etc para os maiores. E a compra é e continuará sendo um ato tão comum e corriqueiro que não necessitaria qualquer prudência ou cautela.

Para deixar Bauru mais bonita, num ato de justiça para com aqueles que trabalham com este objetivo, num ato de piedade para com pessoas de poucas condições financeiras, idosos, aposentados que com grande esforço pintam seus muros, suas casas e no dia seguinte vêem que a propriedade ficou pior, ainda, é preciso fibra, rigor, inteligência e criatividade. Cadastrar compradores nas lojas é medida eficaz. Se o trabalho for bem feito e com rigor, até caso de avó que vai comprar spray para o neto pichar poderá ser descoberto. Fato raro mas não descartado...

Inicialmente, flagrar e cadastrar os pichadores, tanto os adolescentes quanto os adultos, seria medida facílima e muitos já o foram. Depois, bastaria retirar desses homens o direito de se locomover no município no período noturno. Teriam que passar a pichar durante o dia. Até pichador que trabalhe ou estude à noite teria que passar essas atividades para o dia com o objetivo de não se abrir exceção para ninguém. Pichador flagrado passa a ficar em casa no período noturno. Uma autoridade circulando pelo município pelo menor uma vez por semana, de surpresa, iria fazer a constatação. Se a prisão domiciliar noturna não funciona para alguns, existem outros tipos de prisão, principalmente para os homens, os adultos. Algumas campanhas seriam feitas simultaneamente para melhorar o aspecto da cidade.

Patada do Leão - Nesta selva de pedras em que vivemos, nem tudo é selvagem no pior sentido desta palavra. Isto porque nesta selva atua um Leão magnânimo pelo seu trabalho, pelas suas atitudes e benevolência. A última entidade a testar essa benevolência do Leão foi a Apae - Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais - de Bauru. A entidade dirigida por dona Olga Bicudo foi beneficiada com a construção de uma piscina onde os atendidos podem agora passar por uma terapia mais eficiente e avançada em seu desenvolvimento.

Esse Leão é assim mesmo: quando dá uma patada, ninguém é ferido, ninguém é atingido. Suas patadas são - como esta - para ajudar, engrandecer aqueles que, embora criados à imagem de Deus, precisam de uma força da comunidade. Você, também, leitor, pode dar uma patadinha de bondade. A Apae está vendendo por apenas R$ 2,00 a rifa do carro e vários outros prêmios. Concorra, também. Parabéns, dona Olga e Gilberto Barros, o Leãozão amigo.

(*) B. Requena é editor de Internacional do JC.

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