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REIVINDICAÇÃO ABSOLUTAMENTE CORRETA

Antonio Ribeiro Corrêa
| Tempo de leitura: 2 min

Se me parece inclemência hedionda negar radicalmente a reivindicação de vagas, ou reserva delas, para negros nas universidades. Exemplos de pertinácia da raça negra estão sempre ao alcance de todos nós humildes observadores, dos grandes oradores, escritores e inúmeros intelectuais. Perdoem-me a intromissão, já que não me enquadro em nenhuma dessas fontes enaltecedoras da garra da raça negra. Entretanto, senhores, a discriminação nojenta e dissimulada está aí, bem diante do nosso nariz, forte e instituída. De longe a nossa economia vem sendo influenciada pela desqualificação dos negros, de forma negativa. Os negros são praticamente a metade de nossa população, e é muito reduzido o número deles em todos os setores de trabalho e produção. Concordo que a falta de bons empregos e a falta de bons salários para chefes de família são comuns entre os brancos também. Entretanto, essa situação de pobreza é muito maior entre os negros, pois eles são muito mais numerosos que os brancos; daí as jornadas dos jovens negros nos caminhos da academia serem muito mais espinhosas. Além disso, creio que ninguém está se movimentando no sentido de escancarar as portas das universidades, sem nenhum critério. Mas é preciso sentar e conversar. Do contrário, estaremos omitindo importante fator que compõe a nossa democracia, ou seja, a ascensão do negro no nosso país, e, que, diga-se de passagem, deverá ser exemplo, ser modelo para o mundo a democracia de que falamos. É preciso devolver aos negros, e de forma mais rápida (o que se pede ainda é pouco), aquilo que os brancos roubaram deles ao longo de séculos estarão sempre sobrecarregados, trabalhando em dobro, ou seja, trabalhando por eles e pelos negros. Se os brancos forem sempre o patrão, poderão empregar alguns negros e, como sempre, pagar miseravelmente mal. Mas não fica só nisso: estará, como mau patrão, fomentando a delinqüência com a militância de brancos também. É preciso projetar e analisar bem por este ângulo.

Como se vê, dona Isolina, não é preciso ser formado em pedagogia para falar sério desse assunto tão importante. É preciso ser razoável e participativo. Todos os leitores desta Tribuna dever participar também. Obrigado.

Nota: a força da reivindicação está simultaneamente na justiça e número de negros e afins, brasileiros. (Antonio Ribeiro Corrêa - RG. 4.168.220)

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