O prejuízo de R$ 310,3 milhões que a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) teve, de janeiro a setembro, foi provocado, principalmente, pelo aumento nos custos decorrentes do racionamento. O resultado reflete a má fase das empresas do setor. No mesmo período do ano passado, o lucro da Paulista foi de R$ 28,1 milhões.
Otávio Carneiro Rezende, diretor administrativo-financeiro e de relações com investidores da CPFL, afirma que somente o racionamento provocou um prejuízo entre R$ 70 milhões e R$ 80 milhões por mês. Outra parte do déficit vem da compra de energia de Itaipu em dólar. Enquanto na composição da tarifa ao consumidor a moeda norte-americana é cotada a R$ 2,16, a Paulista paga a cotação do dia para a administração da usina. Nos últimos meses, essa cotação passou dos R$ 2,70, provocando um déficit de caixa.
Rezende projeta que as novas regras do racionamento, determinadas ontem pelo ministério do apagão (leia mais na página 25, no noticiário nacional), podem reduzir o prejuízo para algo em torno de R$ 50 milhões por mês. Com isso, o prejuízo acumulado no ano ficaria em torno de R$ 400 milhões, contra um lucro de R$ 84,75 milhões em 2000.
O que ameniza a preocupação das distribuidoras é que o governo já aceita discutir a recomposição dos custos das empresas, por meio de aumento da tarifa cobrada do consumidor final. Para ele, não há outro caminho para reverter essa situação de prejuízo. Em qualquer que seja a atividade, se você reduzir em 20% ou 25% o faturamento, não tem o que fazer, sem ter a contrapartida em custo, afirma, lembrando que a empresa tem um custo fixo que não pode reduzir, apesar da queda na demanda de consumo.
Rezende diz que, quando terminar o racionamento, não há uma previsão de como será o comportamento dos consumidores. Numa situação parecida, na Bahia, a economia persistiu por três ou quatro anos mas, depois, tudo voltou ao que era antes. No tamanho e escala que foi esse racionamento, ninguém tem certeza do que vai ocorrer. Talvez mantenha a economia, talvez volte o consumo. Não existe como precisar, ressalta.
Esse quadro de racionamento pode interferir nos resultados das distribuidoras não somente neste ano, mas nos próximos. Outra situação que vem provocando prejuízo para a Paulista são as equivalências patrimoniais, que são os investimentos em outras distribuidoras, como na Companhia Piratininga (cisão da Bandeirantes de São Paulo).
Rezende disse que, apesar dos resultados negativos, o setor é bom para investir. Ele afirma 2001 está sendo um ano atípico, mas que tudo deve se normalizar em breve, principalmente com os investimentos em geração que estão programados.
Acima da meta
A região atendida pela CPFL, que abrange 2,8 milhões de clientes em 234 cidades do Interior de São Paulo, continua mantendo a média de redução de consumo acima dos 20%, definidos pelo governo no início do plano de racionamento, em junho.
Nos 20 primeiros dias do mês de novembro, a média de redução foi de 24,9%, ou 340 GW/h, energia suficiente para abastecer Campinas, com seus aproximadamente um milhão de habitantes, por 52 dias. Desde julho, a média da região atendida pela CPFL tem se mantido entre 24% e 25%.
No mês de junho, a redução atingiu 20%. No dois meses seguintes, a Companhia contabilizou 24,6% e 24%, respectivamente. Em setembro e outubro, que marcaram o reinicio das chuvas, a contenção bateu em 25,8% e 25,4%.
A empresa prefere aguardar a divulgação do nova meta e o impacto sobre os clientes para comentar sobre possíveis mudanças nesse quadro.