Não deu outra: a taxa de juros no Brasil se mantém em 19% ao ano. Teríamos inúmeros argumentos para que os juros fossem rebaixados:- dólar em queda- preço do petróleo em baixa- redução dos juros nos EUA e na Europa- menor impacto da Argentina
Mas, na prática, prevaleceu a leitura do aumento da inflação, cuja meta para este ano é de 4% com variação de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo, ou seja, poderia chegar até 6% ao ano, contudo, já temos 6,22% na medida do IPCA, acumulado até outubro. Desta forma, o Copom preferiu fazer o óbvio e ficaremos até dezembro sem mexida nos juros (anunciaram viés neutro, ou seja, a tendência dos juros é neutra, isso quer dizer sem alteração até a próxima reunião). Enquanto o Copom se mantém conservador, os pobres mortais continuam pagando 8,8% ao mês em média no cheque especial (175,14% ao ano); 5,5% ao mês em média no crédito direto ao consumidor (90,12% ao ano); 4,8% no financiamento de capital de giro (75,52% ao ano), isso sem falar nos juros das financeiras que chegam 151 % ao ano e nas factorings que atingem 289% ao ano.
Enquanto isso, a poupança rende míseros 8,73% ao ano. Isso tudo sem considerar o enorme custo da rolagem da dívida interna, cujos recursos poderiam ser canalizados para o social (isso não importa muito aos tecnocratas). Se o Copom não fosse tão óbvio poderíamos avançar mais nas questões econômicas com boas conseqüências sociais.
(*) O autor, Reinaldo Cafeo, é delegado do Corecon, economista e professor na ITE.