Comunicar é preciso, não importa em que setor se trabalhe. A falta de de uma comunicação perfeita no meio corporativo simplesmente inviabiliza qualquer tipo de tentativa de crescimento de uma empresa no mercado. Mas antes de pensar na comunicação externa, com fornecedores e clientes, é preciso voltar a atenção para o público interno, aquele que é responsável pelo produto fornecido pela empresa e também por como ela é vista pelos seus clientes. "O sistema de comunicação interna é fundamental dentro de uma empresa para que todos obtenham informações com clareza e objetividade", diz a psicóloga organizacional Maria Madalena Lazari Kawashima.
Uma boa comunicação interna é estratégica para o sucesso das organizações porque faz com que os resultados desejados pela direção sejam atingidos ao mesmo tempo em que serve como fator humanizador das relações de trabalho, integrando os funcionários e também os motivando.
"A comunicação é primordial em qualquer segmento porque nas empresas um setor depende do outro e uma falha na transmissão de informações internas pode comprometer todo um trabalho", explica a psicóloga organizacional Ana Cláudia Comegno. A sinergia entre os diferentes setores de uma empresa, tão procurada nos dias de hoje, só é possível se a organização tiver meios eficientes de transmitir aos seus colaboradores o que é esperado deles e que estes, por sua vez, pratiquem a comunicação entre si.
Quando os funcionários sabem quais são os objetivos e valores da empresa na qual trabalham tendem a se sentir parte responsável em qualquer empreendimento, com isso de dedicam e contribuem mais para o sucesso geral. É uma forma de integração que os envolve com as metas da organização que se tornam mais fáceis de serem atingidas. O fato de ser informado e se sentir parte de uma engrenagem que funciona com o mesmo fim é o fator motivador entre os funcionários.
Como comunicar
Como as empresas podem vencer o desafio de construir uma comunicação eficiente, capaz de integrar e motivar a todos? Para Ana Cláudia Comegno, inicialmente é preciso enxergar todos os processos como forma de comunicação, desde o telefonema de um cliente, por exemplo, e exemplifica: "Se alguém liga e deixa um recado e esse recado não é passado, já há um problema de comunicação".
A maneira como as informações vão ser transmitidas dentro de uma empresa podem variar de acordo com o ramo de atividade, tamanho da organização e recursos disponíveis. Algumas companhias fazem uso de murais de informações, boletins internos (jornais) e cartazes. Outras usam uma rede de comunicação interna por terem todos os seus funcionários ligados a um terminal de computador. Recursos mais tradicionais como memorandos internos, relatórios e cartazes também são bastante comuns ainda hoje.
Cada empresa deve procurar a melhor maneira de atingir o seu funcionário com clareza e objetividade não importa de que maneira seja. "O importante é que haja um meio oficial de comunicar os funcionários de algum acontecimento ou evento porque há um risco das informações chegarem distorcidas se não forem transmitidas formalmente", alerta Maria Madalena Kawashima, para quem apenas a comunicação oral não é suficiente pois pode sofrer interferências. "É preciso ter algo escrito, porque dessa maneira as informações ficam mais claras", completa. "A empresa deve ter no mínimo um mural para que as pessoas saibam das decisões tomadas e todos 'falem a mesma língua'", declara Ana Cláudia Comegno.
Não existe exatamente um método que seja melhor do que outro. Uma empresa com poucos funcionários e com um espaço físico pequeno não precisa usar nenhuma estratégia mirabolante para transmitir uma informação, obviamente. Quanto maior o espaço que a organização ocupa e o número de trabalhadores que possui, mais técnicas devem ser usadas para garantir que todos estejam integrados, mesmo que esses métodos sejam pouco usuais.
Muitas empresas de médio e grande porte atualmente têm usado, além dos métodos tradicionais, o computador para fazer comunicados internos. Para Ana Cláudia Comegno o uso da intranet é bastante eficiente desde que todos tenham acesso a um computador. Maria Madalena Kawashima concorda mas lembra que, nesse caso é preciso haver um procedimento padrão estabelecido pela direção para que não haja um acumulo de e-mails desnecessários no computador de cada funcionário ocasionando algum problema na comunicação.
Exemplo criativo
Depois de alguns eventos organizados não contarem com todo o público interno esperado, o setor de recursos humanos do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, o Centrinho, resolveu inovar. Para "avisar" todos os seus funcionários sobre a sua Semana Interna de Prevenção de Acidentes no Trabalho (Sipat), que começa amanhã, o setor contratou uma banda de música para tocar por duas horas durante o horário de almoço dos funcionários na última sexta-feira. "Da maneira tradicional, colocando avisos em painéis e indo de sala em sala, o índice de participação era pequeno, então resolvemos fazer uma coisa diferente", conta a relações públicas do Centrinho, Simone Germano Segantin.
O local para a apresentação da banda, o quiosque de São Franscisco foi escolhido a dedo por ser o ponto mais freqüentado pelos funcionários no horário do almoço. Antes da apresentação do grupo Al Khemia, foi lido um texto informando sobre a Sipat e a importância de todos participarem das palestras. "Não vai ter aquele negócio do funcionário dizer que não participou porque não estava sabendo. Vai ser impossível alguém não ficar sabendo desse jeito", dispara Simone Segantin.