Tecnologia e cultivo natural não garantem vida saudável porsi só: especialistas recomendam alimentação equilibrada
Mesmo com tanta tecnologia chegando à mesa, os profissionais de saúde são unânimes: nada substitui a alimentação equilibrada. Saúde não é determinada por um único fator, mas por uma coleção de hábitos.
Os alimentos funcionais podem reduzir o risco de doenças, mas só medicamento cura, afirma Franco Lajolo, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP). Se o rótulo do alimento prometer muito, é bom desconfiar.
A nutricionista Emília Ishimoto, pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública da USP, também alerta que há oportunismo na área dos funcionais. Existem casos de propaganda enganosa. Ela explica que são produtos enriquecidos com quantidades insuficientes para proporcionar benefícios à saúde. Na dúvida, o consumidor deve consultar médicos e nutricionistas.
Medir os benefícios proporcionados pelo alimento funcional é o grande desafio da indústria. Para ser registrado no Ministério da Saúde, o alimento funcional passa por uma comissão técnica que avalia a eficácia e a segurança do produto. Na lista de registros do ministério são reconhecidos como funcionais: margarina com fitosterol, chiclete com xylitol (reduz risco de placa bacteriana), leite com ômega 3 ou 6 (ajuda a regular o nível de triglicerídeos), leite fermentado com lactobacilos vivos (equilibram a flora intestinal), alimentos enriquecidos com frutooligossacarídeos ou inulina (também para flora intestinal) e azeite de oliva (auxiliam na manutenção dos níveis de colesterol).
Não há prova científica de que os alimentos orgânicos sejam mais saudáveis do que os tradicionais. O que há é a suposição de que os pesticidas aumentem o risco de câncer e infertilidade. Os estudos com agrotóxicos começaram dez anos atrás e são controversos. Enquanto uns encontram evidências da existência de risco para a saúde, outros desmentem.
A médica Joya Correia, pesquisadora do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, explica que quando ingeridos, os agrotóxicos se depositam no tecido adiposo (gordura) do corpo humano. É lá também que estão os receptores do estrógeno - estruturas necessárias para ativar esse hormônio. O problema é que o corpo humano confunde pesticida com estrógeno. Os receptores se ligam também com o pesticida, alterando a concentração de estrógeno no corpo.
Alguns estudos mostram que o desequilíbrio de estrógeno é percebido e compensado pelo organismo. Outros apontam que o corpo não consegue fazer a compensação. Tanto nos homens quanto nas mulheres, os desequilíbrios de estrógeno prejudicam a fertilidade.