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Exames periódicos atestam qualidade

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Dentre todas as mudanças promovidas pelo Governo nos últimos anos, a progressão continuada de aprendizagem é a mais polêmica, mas representantes da educação aprovam o regime

Representantes das redes municipal e estadual de ensino de Bauru afirmam que a melhor prova de que as escolas públicas têm qualidade são as notas obtidas pelos alunos nos campeonatos regionais e nas avaliações periódicas promovidas pelo Governo como parte do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp).

De acordo com o dirigente regional de Ensino, Jair Sanches Vieira, no último exame oficial, por exemplo, um terço das escolas apresentou desempenho muito acima da média. A maioria ficou na média e apenas oito, de um universo de 71 unidades abrangidas pela Regional, ficaram abaixo da média.

A situação mostra-se a mesma entre os estudantes da rede municipal que, segundo a secretária municipal de Educação, Isabel Algodoal, têm sido os mais premiados nas olimpíadas regionais - disputas em que alunos de várias cidades testam e comparam seus conhecimentos em determinadas disciplinas.

Para Vieira, apesar das críticas vindas de diversos setores, as reformas promovidas pelo Governo nos últimos anos elevaram a qualidade do ensino. Principalmente por terem colocado todas as instituições em nível de igualdade, dando autonomia às equipes pedagógicas para adequar os currículos à sua realidade local.

Progressão continuada

Dentre todas as mudanças ocorridas na Educação nos últimos anos, a mais polêmica talvez tenha sido a instituição da progressão continuada de aprendizagem, que garante ao aluno o direito de ser automaticamente promovido de uma série a outra, conforme seu desempenho. Foi o fim das reprovações e o enterro da tradicional bomba.

O regime foi garantido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996. O Conselho Estadual de Educação adotou o sistema no ano seguinte, organizando o Ensino Fundamental em dois ciclos. O primeiro engloba da 1.ª à 4.ª série (antigo primário) e o segundo vai da 5.ª à 8.ª série (antigo ginásio).

De acordo com a Secretaria do Estado de Educação, ao contrário do que muitos entenderam na época da implantação, o novo sistema prevê a avaliação constante do aluno, em diferentes momentos e de diferentes formas, inclusive com a aplicação de provas pelos professores.

O que mudou foi a maneira de ver e utilizar a avaliação. Com os ciclos, ela deixou de ser punitiva, transformando-se em instrumento de orientação para alunos e professores. A avaliação é utilizada como indicador da necessidade ou não de reforço em disciplinas e temas. É o resultado deste acompanhamento sistemático que orienta o trabalho e as aulas de cada professor, informa um documento oficial.

Reforço e recuperação

O programa de progressão continuada inclui recuperação contínua, paralela, intensiva e de ciclo. Cabe ao professor avaliar diariamente seus alunos, verificando o que aprenderam, quais as suas dificuldades. Desta forma, ele pode promover a recuperação contínua, que consiste em rever alguns tópicos da matéria com trabalhos diversificados para estimular o aprendizado.

Apesar deste trabalho permanente, o aluno que não consegue seguir o ritmo da classe em determinada matéria é encaminhado para atividades extras e paralelas de reforço. Assim, ele pode progredir continuamente nas demais disciplinas. Se as dificuldades não forem superadas até o final do ano, o estudante terá uma recuperação intensiva - um mês a mais de aulas, nas férias.

No último ano de cada ciclo, todos os estudantes passam por um exame oficial que vai verificar se eles apresentam as habilidades mínimas correspondentes à etapa em curso. Os que não conseguem bons resultados são retidos por mais um ano para a recuperação do ciclo, onde serão trabalhados os tópicos necessários ao prosseguimento dos estudos.

Este ano a mais não se caracteriza como a repetência do passado, quando o aluno repetia todos os conteúdos, mesmo aqueles que ele já havia aprendido. Este período prevê uma retomada, com abordagem diferenciada, dos pontos fundamentais não dominados pelo estudante, salienta o informe da Secretaria.

Exame

O exame de avaliação dos ciclos deste ano será realizado no próximo dia 29. Em todo o Estado, deverão ser avaliados 929 mil estudantes que estão concluindo os ciclos I e II (4.ª e 8.ª séries) do Ensino Fundamental este ano. O comparecimento ao exame é imprescindível para a promoção do estudante.

O exame, que será elaborado e aplicado pela Vunesp (órgão responsável pelos vestibulares da Universidade Estadual Paulista), será composto de uma redação e questões em forma de teste sobre a Língua Portuguesa. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria, a opção por esta disciplina ocorreu devido à grande correlação entre bom desempenho nesta matéria e o aprendizado de outras disciplinas. O domínio da língua é condição básica para outros conhecimentos. As provas serão realizadas nas próprias escolas.

Capacitação e autonomia

Para o dirigente regional de Ensino, Jair Sanches Vieira, a autonomia dada às escolas e os cursos de capacitação oferecidos aos professores também mostram-se fundamentais para garantir a qualidade do ensino. Ele lembra que até há pouco tempo, era a Secretaria do Estado que comprava todo o material e distribuía entres as unidades.

Uma vez, uma de nossas escolas teve que mandar incinerar um caminhão inteiro de giz, porque o Estado mandou demais. As caixas foram armazenadas em um cômodo, mas ratos urinaram sobre o giz. Como a urina de rato pode transmitir doenças, todas as caixas tiveram que ser inutilizadas, sob pena de contaminar alguém, contou. Segundo ele, atualmente, as escolas recebem a verba e têm autonomia para decidir o quê e quando comprar.

Além desta melhora estrutural, todos os professores estão passando por cursos periódicos de capacitação. Regularmente, a Diretoria Regional de Ensino seleciona um grupo com professores de diferentes escolas para fazer um treinamento na Capital. Quando retornam, estes professores repassam o que aprenderam para um representante das outras escolas. Estes, por sua vez, ficam incumbidos de transmitir as informações para os demais professores da escola onde lecionam. Assim, todos conseguem manter programas de reciclagem.

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