O Serac tem um número de fiscais disponíveis pequeno em relação à grande quantidade de escolas existentes
A dificuldade de fiscalizar todos os cursos aeronáuticos dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul gera preocupação quanto à formação de aeronautas. De acordo com o Serviço Regional de Aviação Civil (Serac) 4, o número de fiscais disponíveis é pequeno em relação à quantidade de escolas existentes.
A qualidade dos cursos de formação de aeronautas, entre eles pilotos, comissários e mecânicos, foi o tema da Resa 2001 (Reunião entre Serac, Escolas e Aeroclubes), que teve início no dia 23 deste mês e foi encerrada anteontem, no Obeid Plaza Hotel.
O evento, promovido pelo Serac - 4 - órgão que representa o Departamento de Aviação Civil (DAC) no gerenciamento da aviação civil nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul -, também abordou o impacto das novas tecnologias nos cursos de formação de pilotos, assim como a criação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que está sendo analisada pelo Congresso Nacional.
De acordo com o coronel Marco Aurélio Sendin, chefe do Serac - 4, uma das mais importantes atividades do órgão é fomentar a segurança de vôos. Com esse objetivo, são realizados eventos anuais, entre eles a Resa 2001. Procuramos incentivar todas as instituições a aplicar em suas aulas uma formação correta do caráter do profissional da aviação aérea, conhecimentos aeronáuticos e segurança de vôo, expõe.
As instruções fornecidas pelo Serac-4 baseiam-se em grande parte na observação de falhas descritas pelas instituições através de relatórios. As ocorrências variam de cigarros acesos dentro de um hangar, a cansaço de profissionais e substâncias ou objetos encontrados nas pistas, que podem provocar acidentes. Quanto mais você trabalha na prevenção, menos acidentes você tem, salienta Sendin.
Quando trata-se de formação de aeronautas, tecnologia é um aspecto bastante relevante. Sua aplicação na aviação civil implica na adoção de posturas diferenciadas por parte dos profissionais, de acordo com Sendin. Atualmente, para tornar-se um piloto, não basta apenas saber pilotar a aeronave. O chefe do Serac - 4 destaca o surgimento recente de faculdades direcionadas a essa exigência.
O coronel mostra uma preocupação especial com o Estado de São Paulo, que detém cerca de 40% da aviação civil brasileira. Não se exige apenas um piloto de avião, mas um gerenciador de sistemas. Hoje, pilotar uma aeronave exige do profissional um conhecimento mais amplo que apenas o dom mecânico de pilotar a aeronave. Esse é o futuro da nossa aviação, frisa.
Cursos
Os cursos na área de aviação devem atender a uma série de requisitos exigidos por lei para que possam funcionar. Trata-se de normas quanto a salas, professores e grade curricular, entre outras.
O Serac é responsável pela avaliação das instituições de formação de aeronautas no cumprimento de tais exigências. Cabe ao Instituto de Aviação Civil analisar, posteriormente, os conteúdos dos requisitos exigidos. O fato é que nós temos instituições que não têm cumprido o mínimo estabelecido, na medida em que nós gostaríamos, afirma Sendin.
O coronel explica que a quantidade de fiscais disponíveis é pequena quando comparada ao grande número de instituições que oferecem cursos de aeronáutica. Por deficiência de fiscalização, por haver uma enormidade de instituições a serem fiscalizadas, não se consegue fazer uma fiscalização efetiva. A gente sabe que tem escolas que não estão formando no nível esperado. Por isso, fazemos uma reunião (Resa 2001) dessa natureza, esclarece.
O rigor acentuado dos testes para aquisição do certificado do profissional é um fator tranqüilizante e amenizador da deficiência nas fiscalizações, na opinião de Sendin. Apesar da pessoa cursar uma escola, ela só adquire o direito após fazer o vestibular da aeronáutica para conseguir o certificado, enfatiza.
Embora haja dificuldades, o chefe do Serac - 4 afirma que a qualidade dos cursos de formação de aeronautas no Estado de São Paulo é considerada satisfatória.