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Mulher do caseiro confessa crime com detalhes à polícia

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

A dona de casa Aparecida de Fátima dos Santos, 42 anos, que estava sendo procurada pela Polícia Civil de Bauru, apresentou-se ontem no 1.º Distrito Policial e confessou que matou seu marido, o caseiro João Vieira de Mello, 42 anos. Ela contou com detalhes como matou Mello, o porquê amarrou e envolveu o corpo em lençol e sacos plásticos e o que fez para transportá-lo até a cova, aberta no quintal da casa, e enterrá-lo.

Aparecida alegou que seu marido era ciumento e agressivo e a proibia de ver seus filhos, frutos de uma união anterior, de sair de casa e até de ir ao médico. No dia do crime, segundo ela, Mello, mais uma vez, teria proibido-a de telefonar para um dos filhos e teria puxado-a pelos cabelos. Ela disse que cometeu o crime sozinha e que fugiu para o Mato Grosso pensando em suicidar-se, longe da família.

Depois de manter contato com parentes, em Bauru, decidiu voltar e apresentar-se à polícia. Como o JC informou, o corpo do caseiro foi achado enterrado na segunda-feira à noite na chácara onde morava, no Recanto Aprazível, localizado às margens da rodovia Bauru/Marília. Na ocasião, Aparecida, que havia deixado bilhetes na casa do casal e com uma vizinha dando a entender que havia cometido o crime, estava desaparecida.

Como havia dúvida se Aparecida havia matado seu marido sozinha, o delegado-titular do 1.º DP, Ronaldo Divino, ontem mesmo fez a reconstituição do crime. Ao final da reconstituição, em que ela mostrou como matou o marido e enterrou o corpo, o delegado concluiu que a dona de casa realmente agiu sozinha. Como já havia passado o período de flagrante e ela apresentou-se por livre espontânea vontade, Aparecida vai responder inquérito por homicídio em liberdade.

A dona de casa conheceu Mello no início de dezembro de 1999 e no mesmo mês o casal já estava morando junto. Conforme disse à polícia, algum tempo depois ela percebeu que ele era muito ciumento e genioso. Aparecida disse que seu marido não permitia que saísse de casa, que visse ou telefonasse para os filhos e netos.

Ultimamente, segundo Aparecida, Mello estava bebendo muito e agredindo-a fisicamente. Ela disse ao delegado que nunca registrou boletim de ocorrência porque era ameaçada pelo marido. Em maio ou junho, não suportando mais a situação, ela disse que saiu de casa. No entanto, cerca de três meses depois, ao receber um telefonema de Mello pedindo que voltasse para casa, ela cedeu.

No sábado, dia do crime, Aparecida disse que Mello estava nervoso porque a cerveja que havia encomendado estava demorando para chegar. Mesmo assim, com saudades dos filhos e netos, ela teria dito que iria telefonar para um dos filhos. O caseiro, de acordo com a dona de casa, ficou nervoso, puxou-a pelos cabelos e a proibiu de ver os filhos.

Em seguida, segundo ela, Mello dormiu. Ela contou que foi quando pegou a marreta que ele usava para serviços gerais nas chácaras que cuidava, foi até o quarto e desferiu dois golpes contra a cabeça de seu marido. Desesperada com o que tinha feito, após cerca de 20 minutos, para facilitar o transporte do corpo, o envolveu em lençol e o amarrou com arame. Ela ainda colocou sacos plásticos no rosto e pés do marido e depois enterrou o corpo numa fossa ao lado da casa.

Aparecida contou que usou um carrinho de mão para levar o corpo até a cova, que ela ampliou usando uma cavadeira e uma pá. Como parte do corpo ficou para fora, pois o buraco não era muito fundo, a dona de casa disse que usou uma serra elétrica. Com os olhos fechados para não ver o que fazia, cortou as pernas na altura dos joelhos, até que o corpo coubesse na cova.

Em seguida, conforme relatou à polícia, cobriu a cova com terra, voltou para a casa e telefonou para os filhos dizendo que seu marido havia desaparecido. Depois, para ficar sozinha e decidir o que fazer, disse a eles e aos vizinhos que Mello havia ligado e estava retornando para casa.

Aparecida disse que pensou no que tinha feito e decidiu cometer suicídio longe dos filhos, que moram em Bauru. Então, escreveu os bilhetes que foram achados na casa e saiu a pé. Depois, do celular emprestado por uma vizinha, chamou um mototáxi, que a deixou no centro de Bauru. Antes, porém, Aparecida instruiu o mototaxista a entregar à vizinha o celular, um bilhete e o relógio do marido.

De ônibus, pensando em suicidar-se, Aparecida seguiu para o Mato Grosso. De lá, ligou para parentes em Bauru e contou toda a verdade, inclusive explicou onde havia enterrado o corpo. Aconselhada pela família, a dona de casa resolveu retornar a Bauru e apresentar-se à polícia. O delegado Ronaldo Divino, que apurou o caso, já estava prestes a solicitar a prisão temporária da mulher.

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