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Do papel ao tesouro: a trajetória de Dona Efigênia

Redação
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O que faço está dentro de mim. Assim é a artista plástica, cantora e contadora de história Efigênia Rolim. Artista de rua, daquelas que todo mundo conhece, aos 70 anos esbanja simpatia e desenvolve um trabalho voltado para a conscientização ambiental.

Seu objeto de trabalho é simples. Com muito papel de bala, Dona Efigênia leva a magia às pessoas. Certa vez vi um papel de bala na rua e achei que fosse uma jóia preciosa. Quando percebi que era um simples papel, desprezei. Foi então que percebi que ali estava o verdadeiro tesouro, conta. Para ela, os seres humanos são como papéis de bala. Quem dá vida aos que estão caídos pela rua? Quem olha para os que perderam o recheio, questiona.

Mineira, mas moradora de Curitiba há 30 anos, a performática Efigênia é conhecida no Paraná como a Rainha do Papel. Trabalhando com a reciclagem desde 1990, busca sempre a conscientização. Rainha não é aquela que se veste com pérolas, é aquela que defende o planeta, comenta. A artista define seu trabalho de forma simples, porém profunda: Sou uma pessoa comum que está dando um mergulho no interior do planeta. É uma redescoberta da vida, diz. Muito respeitada, Dona Efigênia possui vários trabalhos no exterior.

Em Bauru, sua passagem foi meteórica. Uma exposição com cerca de 200 trabalhos impressionou os visitantes do Sesc entre os dias 15 e 25 de novembro. No local também contou histórias, fez poesias e desenvolveu oficinas. Ainda fez uma rápida passagem pela praça Rui Barbosa, onde movimentou quem por ali passava. As pessoas estranham. Muita gente me chama de louca, mas sou louca de lúcida. Até para mim foi difícil quebrar o preconceito e passar a me vestir com lixo, explica.

Na última quarta-feira, a artista fez uma participação especial na Hora do Conto com Bruxelda, oficina realizada na Biblioteca Infantil Ivan Engler, no Centro Cultural. Lá, junto de Bruxelda, contou causos e divertiu a garotada. Por onde passa, a popular Dona Efigênia parece criar fãs. Apesar de estranhar o calor da cidade, afirma que terá muita saudades de Bauru. E assim sua trajetória continua. O mundo é assim mesmo, Dona Eugênia... tudo o que é diferente e belo impõem respeito. Com certeza, Bauru também terá muita saudade.

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