Pagar à vista ou, no máximo, em três prestações. Essa é a orientação do economista e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo Cafeo, para quem pretende fazer compras neste final de ano. Verificar a real utilidade do produto que está sendo adquirido e focar a decisão de compra em relação à necessidade de possuir o bem, também é indicado.
A tradicional recomendação de pesquisar bastante antes de decidir onde comprar, continua valendo, já que um mesmo produto pode ser encontrado com preços bem distintos no comércio. O consumidor deve ter muito cuidado para não se deixar seduzir ao consumo pelo consumo, impulso comum em épocas próximas a alguma data comemorativa. Isso não significa ficar longe das compras, e sim, fazer compras mais calculadas, alerta Cafeo.
Neste ano, as orientações desse tipo têm um valor especial. Muitas pessoas deixaram reprimido o desejo de comprar alguma coisa de que gostariam em função da crise econômica brasileira, dos reflexos da crise da Argentina e dos atentados aos Estados Unidos e da preocupação causada pelo racionamento de energia elétrica. Isso pode fazer com que a chegada do fim do ano e do Natal desencadeie um consumismo exacerbado. Ir às compras consciente do que se pode adquirir e gastar, é o melhor caminho para um final de ano ainda melhor.
Na avaliação de Cafeo, saber o que o orçamento familiar permite, em termos de compras com a finalidade específica de presentear, é o primeiro passo para qualquer consumidor. Não assumir muitas dívidas - evitando os crediários a perder de vista - também é importante neste momento, já que todo ano que se inicia traz consigo alguns compromissos, como pagamento de IPVA, IPTU, matrícula dos filhos na escola e compra de material escolar.
Nas compras parceladas, prestar muita atenção nos juros cobrados é fundamental. Em algumas simulações feitas pelo economista, foi verificada a aplicação de juros de até 17%. A taxa de juros considerada razoável por Cafeo para o momento atual é de 3,5% ao mês. É alta para a realidade brasileira, mas, considerando que no comércio isso gira em torno de 6% a 7% ao mês, os juros por volta de 3,5% são razoáveis, afirma.
Para se ter uma idéia da importância de preferir pagamentos menos prolongados, Cafeo cria um exemplo. Numa compra parcelada em 12 meses, com taxa de juros de 6% ao mês, o bem adquirido é quitado na oitava prestação. As outras quatro restantes acumulam valores apenas dos juros. Isso é abusivo. Para saber como notar isso, é simples. Basta pegar o valor à vista do bem e dividir pelo valor da prestação. Assim, tem-se o número de prestações que equivalem àquela parcela. Se no final disso der até duas parcelas pagas a mais, no plano de 12 meses, significa que a taxa de juros embutida está na faixa de 3% a 3,5% ao mês. Acima disso, a cobrança estará fora do contexto. O consumidor tem que utilizar o seu poder soberano de dizer não aos abusos, diz Cafeo.
Combinação explosiva
Cartão de crédito, cheque pré-datado e crediário não devem ser misturados na hora de efetuar os pagamentos. Essa combinação é perversa para o orçamento, porque a facilidade do crédito leva as pessoas a gastar o que não têm. Isso acaba fazendo o consumidor rolar a dívida do cartão de crédito e isso é muito ruim, porque os juros do cartão estão na faixa de 12% ao mês. É isso que faz com que o índice de inadimplência suba muito entre os três primeiros meses do ano, analisa Cafeo.
O economista lembra que a reserva de bens no final do ano, indicada por ele, não pode se restringir ao pagamento de bens adquiridos. A reserva diz respeito, também, a emergências que possam surgir, como a necessidade de um tratamento médico, por exemplo, orienta.
Para Cafeo, tudo indica para um Natal verde e amarelo, com produtos nacionais e viagens dentro do País. No caso das viagens, também vale a dica de pesquisar bastante e preferir, se possível, lugares não tão concorridos, onde é maior a possibilidade dos valores de aluguel das casas de veraneio, por exemplo, estarem fora da realidade de mercado.
Ficar atento aos produtos similares também pode ser uma boa alternativa para ter uma ceia farta sem gastar muito. Substituir uma carne de primeira por outra de boa qualidade e preço inferior, ou por uma carne branca, preferir os vinhos e champanhes nacionais às importadas são uma boa maneira de garantir uma ceia de Natal farta sem pagar muito caro por isso, observa Cafeo.
Compartilhando da mesma opinião do economista, o coordenador do Procon, Silvio Orti, também orienta os consumidores a fazer diversas pesquisas antes de definir a compra e que os pagamentos à vista sejam privilegiados, para evitar os juros abusivos.
O consumidor deve fazer uso constante do seu poder de pechinchar para conseguir as melhores condições. As compras à vista devem ser preferidas, mas, quem comprar à prazo, deve se informar bem sobre as taxas de juros e condições de pagamento oferecidas. Isso é importante para que a pessoa adquira aquilo que ela realmente terá condições de pagar, recomenda.
Exigir nota fiscal também é um cuidado que deve ser adotado na hora de fechar o negócio. O coordenador do Procon alerta, ainda, para que o consumidor verifique se a loja aceita fazer a troca do produto, se necessário.
13º salário anima o comércio
Na última sexta-feira, o movimento intenso no Calçadão da Batista de Carvalho - considerado acima do normal pelo presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Sérgio Evandro do Amaral Motta - dava sinais de que muita gente pretende utilizar o 13.º salário para fazer compras. Segundo o economista Reinaldo Cafeo, a previsão para este ano é de que a injeção do 13.º no comércio de Bauru fique entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões. No Brasil, a previsão é de que a utilização do 13.º salário signifique valor equivalente a cerca de 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) anual.
Motta prefere ainda não arriscar previsões sobre um possível crescimento das vendas do Natal deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Mas, afirma que os lojistas estão otimistas e que o movimento deste final de semana entusiasmou o comércio.
Muitas pessoas receberam a primeira parcela do 13.º na sexta-feira e, no mesmo dia, vieram ao comércio central, aumentando consideravelmente o movimento no Calçadão. Ainda acho cedo para fazer previsões sobre vendas. Acredito que, depois que a decoração da Batista de Carvalho estiver totalmente pronta, as pessoas se sentirão mais motivadas a iniciar as compras de Natal, avalia Motta.
No shopping, a presidente da Associação dos Lojistas do Bauru Shopping Center (ALBSC), Andréa Negrão, também disse ao JC, em entrevista publicada na semana passada, estar otimista em relação aos resultados deste final de ano. Mas, como o presidente da CDL, não arriscou fazer previsões.