Salas superlotadas, alunos desestimulados, funcionários presos ao sistema, más condições estruturais de trabalho, desinteresse coletivo e falta de vontade política são alguns dos quesitos adotados nesta avaliação. Prejuízos que deverão refletir nas gerações das próximas duas décadas, pelo menos.
Ao contrário dos dirigentes, que deram nota azul para o ensino público na última edição do JC nos Bairros, os professores recomendam recuperação para o sistema educacional brasileiro. Eles concordam que as reformas são necessárias, mas ressaltam que, na prática, os resultados estão bem abaixo da média.
O que se vê nos bastidores, segundo eles, são alunos desinteressados e indisciplinados. Com o passar dos anos, a legislação foi lhes dando cada vez mais direitos, sem imputar deveres em contrapartida. Conseqüentemente, os professores, já engessados e desprestigiados pelas regras impostas pelo sistema, ficam absolutamente desestimulados no desempenho de suas atividades.
Quando comecei a lecionar, na década de 50, o professor era respeitado, tinha prestígio, tinha conforto, usava as melhores roupas, era elegante, as professoras até ditavam moda entre as alunas. Hoje, ele não consegue pagar seu próprio aluguel. Ele não tem condições de assinar jornais e revistas, de comprar livros ou viajar nas férias. Tudo isso eram formas de adquirir cultura, com benefício direto para sua matéria-prima, que é o aluno. Hoje, a carreira do Magistério está se transformando em subemprego, lamenta o professor aposentado Rodolpho Pereira Lima, fundador do Centro do Professorado Paulista (CPP) e secretário municipal de Educação (Bauru) em 1983.
Para ele, a situação atual do sistema resulta na baixa auto-estima do profissional, que é agravada pela rebeldia dos estudantes. O resultado são escolas formando pessoas servis, quando deveriam formar homens críticos e disciplinados, preparados para disputar o mercado de trabalho e conviver em sociedade, ressalta.
Ele alega que a falta de qualidade do ensino, além de um prejuízo a alunos e professores, é um dano irreparável para toda a sociedade. Uma mãe que não sabe ler e interpretar não pode sequer ver a bula do remédio que vai dar para o filho. É muito triste ver esta decadência. Eu desejo, ainda em vida, assistir a volta de uma escola pública com prestígio e padrão de qualidade de outrora, sendo valorizado por pais, alunos, profissionais e pela sociedade, completa.