Geral

VESTIBULARES

Marcelo N. Furtado
| Tempo de leitura: 2 min

No domingo (2/12) realizou-se o maior e mais concorrido vestibular do País. Milhares de pessoas disputando vagas ínfimas e, talvez por isso, tão conceituadas. A Fuvest é a responsável pelo vestibular da Universidade de São Paulo (USP). Como vestibulando me sentia honrado até o presente fim de semana, quando ao prestar o vestibular da PUC da cidade de Campinas me deparei com certas situações que mudaram minhas opiniões.

Primeiramente, gostaria de expressar minha extrema revolta em relação aos preços abusivos de inscrições. Atingindo picos de R$ 120,00, as instituições ganham fortunas simplesmente com vestibulares. É importante ressaltar que o preço absurdo não priva os alunos de inconvenientes durante os exames. Durante a prova da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, uma das mais caras, os alunos tiveram que se espremer em uma rua onde, claramente, não havia espaço a todos.

Recebendo calhamaços de propagandas (que seriam posteriormente jogados nas calçadas) não foi possível garantir a entrada de todos no prédio no qual estaria sendo realizado o exame. Resultado: atraso de 30 minutos no início do exame.

Como se não houvesse tempo hábil para os coordenadores imaginarem que uma ruela não comportaria os milhares de candidatos esperados. Voltando ao fim de semana citado, onde 16.000 pessoas concorreram a 5.000 vagas, não foi surpresa minha atrasar a prova mais uma vez, devido ao tráfego intenso de veículos a caminho da prova. Entretanto, um fato ocorrido me abalou profundamente. Após a prova, um rapaz, que deu nome e telefone, veio falando baixo e sem cerimônias me ofereceu uma vaga na instituição. Como se não bastasse, em seu portfólio constava não uma, mas muitas universidades e faculdades do Estado. O comerciante também promovia: Comigo, só paga depois da inscrição e você nem faz a prova. É garantido!. Caro leitor, imagine agora a minha situação. Prestando para o curso de Medicina (normalmente o mais concorrido) há mais de três anos, e um sujeito me oferece uma vaga. Quão é meu ódio em relação a tudo isso. Sentindo-me um palhaço fui embora olhando os colegas circenses comunicando a seus pais como tinham ido na prova. Poderia, também, citar muitos casos que alimentam minha ira como o, também recente, vestibular da Unoeste em Presidente Prudente, onde sequer requisitaram meu documento durante a prova. Ou ainda, vestibulares onde não se pode levar o gabarito para conferência, etc. Somos tratados como presidiários. Somos revistados, temos nossos bens (relógios, correntes, borrachas) confiscados com a alegação de segurança contra colas eletrônicas ou fraudes. Na minha opinião, os peixes grandes dessas instituições é que deveriam ser revistados e tratados como bandidos! Chega de ficar passivo a tudo isso. Devemos parar com essa mania de jeitinho brasileiro em tudo. Há certas coisas onde o RESPEITO deve superar esse jeitinho. Continuarei lutando pela minha vaga de forma honesta, pois sei que valerá a pena. Só acho que 16.000 palhaços têm alguma força nessa história! (Marcelo N. Furtado, - RG 33.077.977-1)

Comentários

Comentários