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Tráfico na cadeia envolve carcereiro

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 2 min

Um carcereiro e um sapateiro, além de parentes de presos, estariam ajudando a levar droga para dentro da cadeia de Botucatu.

Botucatu - As suspeitas existiam já há alguns dias mas só esta semana a polícia comprovou, através de uma blitz, a existência de tráfico de entorpecente dentro da cadeia pública de Botucatu. E para surpresa de muitos, as investigações levam a Delegacia de Investigação Sobre Entorpecente (Dise) a trabalhar com a hipótese da participação direta de um carcereiro, que ontem já foi encaminhado para o presídio da Polícia Civil, em São Paulo.

Além do carcereiro, um sapateiro e parentes de um dos presos também estariam envolvidos no tráfico, cada um com uma função bem definida. Até ontem, seis detentos, um carcereiro e dois rapazes, sendo um deles sobrinho de um preso, haviam sido autuados sob a acusação de tráfico de entorpecente, com base na Lei 6368/76. Os detentos continuaram presos e os outros três homens, cujos nomes não foram divulgados pela polícia, tiveram a prisão temporária decretada. O sapateiro ainda não havia sido localizado até ontem.

O envolvimento do sapateiro se resumiria à função de preparar fundos falsos em calçados, onde a droga era colocada e assim entrava para dentro das celas, através de visitas.

As investigações que levaram ao flagrante de anteontem, tiveram início há cerca de duas semanas. Toda a equipe da Dise vinha trabalhando com o intuito de encontrar pistas. Na semana passada, uma mulher chegou a ser flagrada quando levava maconha escondida num sapato, para um preso. A droga estava escondida na sola do calçado.

A polícia, segundo o delegado Doniseti José Pinezi, da Dise, chegou a apreender um telefone celular que estava sendo utilizado por um detento, o que não é permitido, na prisão. O celular teria entrado na cadeia no fundo falso de um calçado.

Outros equipamentos que estariam sendo utilizados pelos suspeitos para monitorar o trabalho da polícia também foram apreendidos. Através de rastreamento desses aparelhos, surgiram indícios da participação do carcereiro.

As investigações prosseguiram e a polícia tinha informações de que no fim de semana último, meio quilo de maconha seria entregue dentro da cadeia. Segundo o delegado, um sobrinho de um dos presos levou a droga até um monte de entulho nas proximidades da cadeia. Junto com o pacote, estavam R$ 200,00 que seria o pagamento para o carcereiro que recolheria a maconha e a encaminharia até o interior da prisão.

Diante dos fortes indícios, na terça-feira, a Polícia Civil de Botucatu realizou uma blitz na cadeia e apreendeu cerca de 350 gramas de maconha que estavam distribuídos em quatro celas. Os suspeitos foram então autuados.

A partir de agora, a Dise continuará as investigações, ouvindo os envolvidos para a conclusão do inquérito policial. Um processo administrativo, pela Delegacia Seccional, também vai apurar as responsabilidades do carcereiro.

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