Sob a coordenação do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a diretoria regional de Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) concluiu a primeira etapa do projeto que visa fazer uma pesquisa completa sobre a conjuntura econômica do setor industrial da cidade. Os primeiros resultados mostraram que, neste ano (até setembro), Bauru teve um desempenho melhor que o Estado de São Paulo no item apontado como salários reais - nos setores de mecânica e editorial/gráfico. A pesquisa mostra uma variação anual positiva de 6%, contra o desempenho de menos 3,6% no Estado. O primeiro trimestre teve a melhor performance.
A fase inicial do levantamento incluiu os dois setores citados. O objetivo principal é produzir índices que permitam acompanhar o desempenho da indústria bauruense, identificando a evolução das atividades do setor.
Para a próxima etapa, a meta é que mais empresas, inclusive de outros setores, também enviem seus dados à regional do Ciesp para que, gradativamente, a pesquisa seja ampliada e resulte em números cada vez mais fiéis à realidade local. Os dados coletados junto às empresas são totalmente confidenciais. Esperamos que os empresários da cidade passem a colaborar cada vez mais com esse projeto, já que Bauru é a primeira cidade, além de São Paulo, a ter uma pesquisa setorial como essa, observa Fátima Barbosa.
Os indicadores da pesquisa passam por nível de emprego, vendas reais e nominais, valor real e médio dos salários e utilização da capacidade instalada por cada empresa consultada. Em Bauru, a pesquisa segue os mesmos moldes da que é realizada pela Fiesp com o objetivo de levantar dados referentes ao Estado de São Paulo e ao Brasil (pesquisa da Confederação Nacional das Indústrias - CNI). Por isso, os dados de Bauru podem ser comparados aos da Capital paulista. O projeto ainda será apresentado a outras cidades da região de Bauru, para que as demais regionais do Ciesp também participem.
Para o vice-presidente estadual do Ciesp, Ricardo Marques Coube, a pesquisa tem uma grande importância como fonte de informação. Atualmente, ninguém mais toma decisões importantes sem informação. Na medida em que você conhece melhor a região em que atua, é um ponto de partida para se posicionar empresarialmente perante a comunidade. Portanto, os dados levantados por essas pesquisas são extremamente úteis não somente para a indústria, como para toda a cidade. Ter informações estatísticas amplas sobre o município também é importante para atrair novos investimentos, avalia Coube.
Os setores de alimentação, construção civil e de eletroeletrônicos estão na mira do Ciesp para aumentar a representatividade da próxima pesquisa. Nessa primeira etapa, o setor de indústria mecânica aparece com uma representatividade de 58,6% do universo indicado na amostra. O de editorial e gráfica, com 85%, cada um no seu setor.
Resultados
A pesquisa colheu dados desde o mês de dezembro do ano passado até setembro deste ano. Os indicadores classificados como vendas reais desse período, mostram que, durante este ano (até setembro), Bauru teve um desempenho pior que o da cidade de São Paulo, que teve uma alta de 10,5%. Em Bauru, o crescimento foi de 6,5%.
Para Ricardo Coube, o simples fato de ter havido um crescimento em Bauru já representa um resultado positivo. O terceiro trimestre teve o melhor desempenho, sendo que os dois setores - mecânica e editorial/gráfica - acompanharam o índice geral.
No indicador de horas pagas, Bauru teve um desempenho melhor. A pesquisa mostra que, apesar da crise da Argentina (iniciada no final de junho), do racionamento de energia elétrica e dos atentados terroristas aos Estados Unidos, em setembro as empresas bauruenses aumentaram o total de horas pagas. No setor de mecânica, a maior variação negativa de trimestre foi no período entre abril e junho.
No item total pessoal ocupado (TPO), que mostra o nível de emprego, até o mês de setembro Bauru apresentou um desempenho melhor que o de São Paulo, registrando crescimento de 0,7%. Na Capital, houve queda de 0,4%. O setor gráfico contribuiu sensivelmente para os resultados positivos.
A pesquisa mostra que o período acumulado de janeiro a setembro deste ano, para TPO, apresentou o mesmo desempenho no período de janeiro a julho de 2001. Ou seja, 0,7%. A melhor performance foi entre janeiro e maio, com 1% de variação positiva, época que coincide com o desempenho no Estado de São Paulo.
É interessante comparar Bauru com São Paulo, porque isso dá uma demonstração de que existe uma postura empresarial diferenciada. Em São Paulo, deve haver uma relação mais fria e, por isso, é maior a sensibilidade às oscilações. Por isso, se contrata e demite funcionários com mais naturalidade. No Interior há um apego maior por parte dos empresários. É um fato importante a ser destacado, afirma Coube.
O indicador nível da capacidade instalada mostra que, no mês de setembro, Bauru apresentou desempenho pior que São Paulo, com índice de 73%. São Paulo teve 79,7%. Para o vice-presidente do Ciesp, não há surpresas nesses índices em função do pico da crise da Argentina e dos atentados aos Estados Unidos. O terceiro trimestre teve a melhor performance, com 26,9% de ociosidade em Bauru.
Em média, a indústria bauruense apresentou, durante este ano, um índice de 30,5% de ociosidade, sendo que no Estado caiu para 18,6%. Em Bauru, o setor de mecânica teve ociosidade de 26,6%. O setor gráfico ficou com 39,2%.
Para Coube, a média de 30,5% de ociosidade em Bauru é natural, em função do ano difícil para a economia brasileira. Isso é natural, já que as expectativas para 2001 eram de crescimento do setor. No ano passado, a indústria cresceu 7% e neste ano esse índice será zero, conclui.