Uma das maiores comemorações da humanidade, o Natal reúne simbolismos de várias culturas e épocas
Todo final de ano, a população ocidental do mundo decora a casa com motivos natalinos, monta a árvore de Natal, espera o Papai Noel... Talvez quase ninguém saiba que cada pequeno detalhe típico dessa época tem uma história muitas antiga, que em muitos casos mistura elementos de várias culturas.
O maior desses símbolos, a árvore de Natal, por exemplo, tem algumas versões para a sua origem. A mais aceita delas, diz que foi o padre alemão Martinho Lutero, autor da Reforma Protestante no século XVI, quem montou um pinheiro enfeitado com velas em sua casa pela primeira vez na época do Natal. O objetivo de Lutero era mostrar às crianças como deveria ser o céu na noite do nascimento de Cristo. A árvore, porém, já era um símbolo em várias culturas. Na mitologia grega, as árvores reverenciavam divindades. O carvalho homenageava Júpiter; a oliveira, a deusa Minerva; e a videira, o deus Baco. Elas também intermediavam o céu e a terra e simbolizam a evolução e a elevação do homem. Para os chineses, o pinheiro significa longa vida.
Na Roma antiga, os romanos penduravam máscaras de Baco em pinheiros para comemorar uma festa chamada de Saturnália, que coincidia com o nosso Natal. A festa romana, que sempre acontecia em dezembro, também gerou o costume de distribuir presentes. Mais tarde, no século XIV, no dia 5 de dezembro, as crianças que comemoravam o dia de São Nicolau (santo de mais tarde se transformou no Papai Noel - leia no boxe), começaram a colocar os sapatos na janela para receber presentes.
Cartão e estrelas
O primeiro cartão de Natal surgiu na Inglaterra em 1845. O pintor John Calcott Horsley desenhou uma família ao redor de uma mesa bastante farta e colocou, ao lado, um rico dando comida a crianças pobres. Havia a mensagem, em inglês, de Feliz Natal e Próspero Ano Novo para você. Horsley fez o cartão sob encomenda de Henry Cole, diretor de um museu, que imprimiu mil cópias. Os cartões ficaram populares e passaram a ser copiados.
A grande estrela-guia, que geralmente fica no alto da árvore de Natal representa a estrela que ajudou os Reis Magos a chegar à manjedoura onde nasceu Jesus. Como ela os guiou com sua luz, traz no nome a palavra guia. No geral, as estrelas que nessa época do ano abundam nas decorações simbolizam a luz que permanentemente harmoniza os ambientes. As cores usadas nos enfeites também possuem significado: a cor ouro está ligada ao Sol, associado à evolução do espírito. O verde representa o poder da renovação e o vermelho tem a ver com o fogo e com o amor divino. Para os judeus, também são anjos guardiões. Para os esotéricos, a estrela de cinco pontas mostra o esquema simbólico do homem em relação às medidas do universo - braços e pernas esticados, e a cabeça que comanda a vontade, já a estrela de seis pontas simboliza a paz.
Guirlanda, sinos e velas
Por manterem-se verdes em pleno inverno, o azevinho, que simboliza o flagelo de Cristo, os visco e a hera eram tidas como plantas mágicas pelos druidas, antigos sacerdotes dos gauleses e bretões. A mistura de dessas folhagens, entre outras, gerou a guirlanda, que quando pendurada na porta indica a presença do Menino Jesus naquele lar.
As badaladas dos sinos de Natal representam a mensagem Nasceu Jesus!. Além disso, acredita-se que o som produzidos pelos sinos possa afastar tudo de ruim e trazer boa sorte. As velas também mandam para bem longe os maus espíritos por causa de sua luz que vem do fogo.
Comes e bebes
O costume de fazer a ceia de Natal surgiu na Europa, há muito tempo. As pessoas deixavam a porta de casa aberta na noite de Natal para que viajantes e pessoas pobres pudessem participar da ceia. Até hoje, a ceia é tida como o momento de confraternização entre amigos e familiares. No Brasil, o prato mais tradicional é o peru assado. O costume de comer essa ave, surgiu, por sua vez, nos Estados Unidos, onde os índios criavam perus antes da chegada dos ingleses. Depois que os colonizadores chegaram, para comemorar a primeira grande colheita de produtos cultivados, os índios serviram peru. A partir de então, criou-se o hábito de comer essa ave em comemorações. O peru foi introduzido no Brasil pelo catarinense Atílio Fontana, fundador da Sadia. E o hábito chegou ao País por influência da cultura americana.
Outro símbolo da culinária natalina é o panetone, o tradicional bolo recheado de frutas secas e uvas secas que foi criado em Milão, na Itália, não se sabe por quem. Existem três versões para a sua origem. A primeira é que o produto nasceu no ano 900, inventado por um padeiro chamado Tone. Por isso, o bolo teria ficado conhecido como pane-di-Tone. A segunda versão da história diz que o mestre-cuca Gian Galeazzo Visconti, primeiro duque de Milão, preparou o produto para uma festa em 1395. E a última versão conta que um certo Ughetto resolveu se empregar numa padaria para poder ficar pertinho da sua amada Adalgisa, filha do dono. Ali ele teria inventado o panetone, entre 1300 e 1400. Feliz com a novidade, o padeiro permitiu que Ughetto se casasse com Adalgisa. No Brasil, a tradição de comer o panetone surgiu somente depois da Segunda Guerra Mundial, quando imigrantes italianos resolveram fazer o mesmo panetone consumido por eles na Itália na época de Natal.
Presépio
São Francisco de Assis foi o criador da missa do galo, o ato religioso do dia de Natal. Segundo a história, São Francisco construiu o primeiro presépio para lembrar fiéis do ambiente em que Jesus havia vivido. Foi na cidade de Greccio, na Itália, em 1224. Ele exibia o presépio à meia-noite, exatamente na hora simbólica do nascimento. O ato era seguido de uma missa. Como os galos cantavam habilmente às primeiras horas da madrugada e isso acontecia durante a solenidade, o povo deu a essa celebração o nome de missa do galo.
Como não poderia deixar de ser, as figuras mais curiosas dos presépios são os reis magos. O historiador inglês São Bedas (673-735), foi o primeiro a citar os nomes e descrever os três homens tidos como reis. Cada um deles representa uma raça: a branca, a amarela e a negra. O africano Baltazar, o asiático Gaspar e o europeu Melchior (ou Belchior), foram os primeiros a visitar o Menino Jesus, e lhe ofereceram presentes: mirra (resina extraída da árvore de mesmo nome), em sinal de sua humanidade; incenso, para representar a divindade do Menino Jesus; e ouro, em homenagem à sua realeza. No Brasil, as primeiras imagens dos Reis Magos chegaram de Portugal, em 1752, destinadas ao Forte dos Reis Magos, no Rio Grande do Norte.
Fontes: Guia dos Curiosos, de Marcelo Coelho, Editora Cia. das Letras e www.guiados curiosos.com.br
De onde vem o Papai Noel
Ele foi inspirado no bispo Nicolau, que viveu e pontificou na cidade de Myra, Turquia, no século IV. Nicolau costumava ajudar, anonimamente, quem estivesse em dificuldades financeiras. Colocava o saco com moedas de ouro a ser ofertado na chaminé das casas. Foi declarado santo depois que muitos milagres lhe foram atribuídos. Sua transformação em símbolo natalino aconteceu na Alemanha e daí correu o mundo. Nos Estados Unidos, a tradição do velhinho de barba comprida e roupas vermelhas que anda num trenó puxado a rena ganhou força. A figura do Papai Noel que conhecemos hoje foi obra do cartunista Thomas Nast, na revista Harpers Weeklys, em 1881.
Na década de 80, a capital da região da Lapônia, no norte da Finlândia, reivindicou o título de cidade do Papai Noel, Quem quiser mandar seus pedidos para bom velhinho pode escrever para:
Santa ClausArtic Circle, SF 96930Rovaniemi - Finlândia