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Asfalto está vencido em 86% das ruas

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Se tiver a previsão orçamentária para 2002 aprovada, Secretaria de Obras deverá investir R$ 6 milhões em projetos de recapeamento, pavimentação e implantação de galerias

De acordo com o secretário municipal de Obras de Bauru, Edmilson Queiroz Dias, o asfalto está vencido em 86% das ruas e avenidas pavimentadas da cidade. Ele afirma que a vida útil do produto é de oito a dez anos e que há pontos que foram asfaltados mais de três décadas atrás, sem nunca ter recebido uma única camada de recape.

É como o tecido, que se esgarça com o tempo, ou a sola de sapato e o pneu, que se desgastam depois de certo período de uso. O asfalto vai perdendo a consistência com o passar dos anos e precisa ser revestido de vez em quando para ganhar nova vida. Como isso não aconteceu em Bauru, as ruas chegaram a um ponto de fadiga e o pavimento se desfaz, afirma Dias.

Ele informa que a cidade tem, atualmente, 8,5 milhões de metros quadrados de área pavimentada. Deste total, 7,3 milhões (86%) estão com o pavimento vencido, o que torna as ruas mais sensíveis ao tráfego de veículos e à ação das águas de chuva. Para Dias, só uma intensiva política de recapeamento das vias acabaria com o problema de forma efetiva. Com o asfalto novo, o aparecimento de buracos seria muito menos freqüente e um trabalho de manutenção seria suficiente, ressalta.

Ele afirma que os projetos existem e a vontade política também. No entanto, a execução de obras tão extensas e onerosas depende de diversos fatores, incluindo a capacidade operacional (máquinas e funcionários), tempo para a realização e um orçamento compatível.

Orçamento

Dias salienta que o principal entrave para a implantação de uma política de pavimentação e recapeamento das ruas é, sem dúvida, a limitação orçamentária. O custo deste serviço, segundo ele, é muito alto. Para recapear os 7,3 milhões de metros quadrados necessários, a Prefeitura estima gastar R$ 50 milhões. Isso, usando nossa estrutura e funcionários. Se fôssemos terceirizar a operação, gastaríamos entre R$ 70 milhões e R$ 100 milhões, diz.

Para se ter uma idéia, o orçamento da Secretaria de Obras para este ano deverá ser fechado em, no máximo, R$ 9 milhões. A previsão para 2002 é que tenhamos R$ 8,2 milhões, mas há uma emenda que poderá elevar nosso orçamento a R$ 18 milhões. Se este montante for confirmado, a Secretaria deverá investir R$ 4 milhões em pavimentação no ano que vem, afirma. Segundo ele, isso seria suficiente para recapear ou pavimentar entre 200 mil e 250 mil metros quadrados de extensão.

Além disso, Dias destaca que deverá investir pelo menos mais R$ 2 milhões na implantação de galerias de água pluvial para o próximo ano. Os processos de licitação já estão em andamento e prevêem a colocação de 17 mil metros lineares de tubos, que seriam colocados em ruas de terra. Isso significa que parte dos 6,5 milhões de metros quadrados de ruas de terra entraria na fila de espera por guias, sarjetas e pavimentação.

Nossa intenção é implantar, até o final do mandato Nilson Costa, 40 mil metros lineares de galerias em toda a cidade. É como ir de Bauru a Lençóis Paulista, em extensão. São obras muito caras. Cada metro linear custa R$ 400,00. Mas não dá para pensar em asfalto sem solucionar o problema de drenagem, observa o secretário.

Dias salienta que estes são projetos muito audaciosos e que solucionariam o problema apenas em uma pequena parte das vias de Bauru. Se, para o recapeamento, estamos prevendo um trabalho de 11 anos, não poderíamos pensar em pavimentar 6,5 milhões de metros quadrados numa única gestão - seria utopia. Estamos iniciando e esperamos que os próximos administradores dêem continuidade aos projetos, comenta.

Neste sentido, o secretário explica que a execução das obras seguirá uma lista de pontos prioritários, começando pelos corredores de tráfego - vias por onde circula maior número de veículos. Depois, será a vez das ruas usadas pelas linhas de ônibus coletivos e outros veículos pesados. Em seguida, serão beneficiados os bairros com maior densidade populacional.

Demandas sociais comem orçamento

Na opinião do secretário de Obras, Edmilson Queiroz Dias, as prefeituras, em geral, encontram dificuldade para investir em obras físicas por dois motivos: o primeiro deles é o alto custo destas obras; o segundo são as demandas sociais (saúde, educação, assistência social, cultura, lazer), que engolem uma fatia considerável do dinheiro público. Essa situação agrava-se ano após ano.

Prova disso é que, cerca de 20 anos atrás, um terço do total de funcionários públicos estava na Secretaria de Obras. A Prefeitura tinha 1,5 mil servidores e 650 estavam no setor. Hoje, a Prefeitura tem 5 mil funcionários e nós contamos com 450 deles. Porque foi preciso contratar cada vez mais professores, diretores, inspetores, merendeiras, médicos, enfermeiros, assistentes sociais e isso reduziu a capacidade de investimentos, comenta.

Em contrapartida, ele cita que, quando se fala em pavimentação, deve-se considerar que, além do asfalto, as obras exigem redes de água e esgoto, galerias para águas pluviais, guias, sarjetas e iluminação pública, que somam valores muito altos.

Mas eu considero o investimento em infra-estrutura como obra social também, porque não adianta ter escolas e creches se não se tem linha de ônibus. Não adianta falar em saúde sem um bom sistema de água, esgoto e drenagem. Nossos serviços também têm alcance social elevado, defende.

Segundo Dias, em visita recente, o secretário do Desenvolvimento Urbano da Presidência da República defendeu que a União deveria estudar um meio de resolver o problema de asfalto de modo global, confirmando que os municípios não têm verba suficiente para isso e que a situação do asfalto é caótica em muitas cidades brasileiras.

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