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SIF recomenda carne inspecionada

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Órgãos sanitários alertam sobre os perigos à saúde do consumo de carne suína que não passa por fiscalização

Com a proximidade das festas de final de ano, aumenta o consumo de carnes suínas. Os supermercados consultados pela reportagem esperam um acréscimo variando de 5% a 30% na procura por esses produtos durante o mês de dezembro, sobre igual período do ano 2000. Órgãos como a Defesa Sanitária Animal (DSA) e o Serviço de Inspeção Federal (SIF) orientam a população para que tenham cuidados básicos, como adquirir somente carne de porco com o carimbo ou selo de registro do SIF. Comprar o chamado porco caipira, criado em casa, é totalmente desaconselhável, segundo especialistas da área sanitária.

Celso Fernandes Joaquim, que trabalha no SIF em Bauru, diz que qualquer denúncia sobre carne suína - e de qualquer outro tipo - que seja encontrada à venda sem selo de inspeção e de origem desconhecida, deve ser feita à Vigilância Sanitária, que sempre aumenta as fiscalizações com essa finalidade no final do ano. Quando é constatada a clandestinidade de um abatedouro, o estabelecimento é autuado.

Quando isso ocorre, a apreensão dos produtos é feita pela Vigilância e o SIF entra em ação para fiscalizar a procedência da carne. Na região de Bauru, o SIF faz a fiscalização de carnes bovinas e suínas nos abatedouros e frigoríficos. As pessoas nunca devem comprar carne sem o carimbo ou selo do SIF. Somente as carnes inspecionadas estão totalmente saudáveis e livres de qualquer doença que possa atingir o homem, alerta Joaquim.

A regional da DSA inspeciona o rebanho suíno de Bauru e de mais 14 municípios. Em todo o Estado existem 40 escritórios da Defesa Sanitária Animal, que atua na prevenção de doenças junto aos animais, na fiscalização em abatedouros e na liberação da guia de trânsito, que permite que somente os animais saudáveis sejam levados para abate.

De acordo com Marco Antônio Issa, da DSA, o Estado de São Paulo está livre da peste suína. Porém, existem outras doenças, como a cisticercose, que podem ser transmitidas à pessoa que ingere carne de um porco infectado. Por isso, é muito importante que as pessoas comprem carne, de qualquer tipo, somente com o selo do Serviço de Inspeção Federal, Estadual ou Municipal e em estabelecimentos confiáveis. Comprar o que alguns criadores chamam de porco caipira, criado em casa, é muito perigoso e desaconselhável. Mesmo criado em casa, o animal pode contrair alguma doença, afirma.

A diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) da Vigilância Sanitária de Bauru, Maria Helena Abreu, informa que as fiscalizações ocorrem semanalmente, sempre com uma intensificação dos trabalhos durante o mês de dezembro. No final do ano nós sempre fazemos, em conjunto com a DIR e com o SIF, algumas blitz em lugares que, possivelmente, trabalhem com venda de carne clandestina. Quem faz o laudo condenatório da carne, nesses casos, é o SIF. Nas fiscalizações de rotina, somos acompanhados por um veterinário. Quando é encontrada carne clandestina, os produtos são enviados ao SIF. As denúncias por parte da população devem ser feitas no DSC, pelo telefone (14) 235-1458, destaca.

De acordo com Maria Helena, a venda de carne clandestina vem diminuindo, mas nessa época do ano a incidência é sempre maior. Portanto, a orientação da diretora da Vigilância Sanitária é de que qualquer tipo de carne, principalmente suína, seja adquirida em estabelecimentos conhecidos, de confiança e que possuam o selo do SIF. Se ficar na dúvida sobre a procedência da carne, o consumidor pode pedir a nota fiscal. Se ela não for apresentada, o produto não deverá ser adquirido, finaliza.

Expectativas

Em um dos supermercados consultados, o diretor Émerson Svízzero diz que espera vender cerca de 15% a mais de carne suína neste final de ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo ele, o consumo dessas carnes vem aumentando a cada ano. O lombo temperado e o pernil são os campeões de vendas da linha suína, principalmente perto do Natal e Ano Novo. Mas a carne de porco também é bastante procurada no inverno, com destaque para a bisteca, paleta e o próprio pernil, observa.

Em outro estabelecimento, o comprador Pedro Sérgio Baptista diz que a previsão é de que, durante esse mês, seja comercializado um volume cerca de 30% maior de carne suína, em relação ao mesmo período de 2000. Segundo ele, o consumo de carne de porco tem aumentado bastante de três anos para cá. É uma carne saudável, basta ter cuidado na hora de comprar, verificando o selo do SIF, orienta.

De acordo com Baptista, cerca de 55% do total das carnes consumidas no Brasil são clandestinas, em função das altas taxas de imposto cobradas para a regularização. Por isso, nessa época do ano, quando o consumo de carne suína aumenta, os cuidados devem ser redobrados por parte dos consumidores. O porco caipira não deve ser consumido de forma alguma, porque não passa por nenhum controle sanitário, ressalta. Segundo ele, atualmente, de cada 100 animais abatidos, um é descartado pelos frigoríficos por apresentar algum tipo de doença.

Em outro supermercado, o comprador Marcos Renato Lourenção diz que a previsão é de vender de 5% a 10% a mais de carne suína durante esse mês, sobre dezembro do ano passado. Pernil e leitoa são os mais procurados nesse estabelecimento.

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