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Personalização do professor

(*) Rodolpho Pereira Lima
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Tem sido muito criticado o sistema de progressão automática adotado pela Secretaria da Educação do Estado, nas escolas estaduais do ensino fundamental. Dia 29 de novembro passado, conforme noticiou o JC, os alunos da rede de ensino estadual da 4ª e 8ª séries, foram submetidos a prova do Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo).

Segundo o noticiário, a novidade neste ano é que a avaliação não foi feita pela Saresp, mas pelo Vunesp, que elabora o vestibular da Unesp. Nos anos anteriores, os próprios professores aplicavam a prova elaborada pelo Saresp. Devido à alteração, todos os professores foram dispensados. O dirigente regional de Ensino de Bauru, professor Jair Sanches Vieira, informou que o Vunesp selecionou e treinou pessoas da comunidade para aplicar a prova. Ao todo, foram 130 selecionados, para aplicar a prova em 5.158 alunos da 4.ª série e 6.696 da 8.ª série. Na seleção dos aplicadores, entre os voluntários indicados pelas escolas, o Vunesp deu preferência a pessoas com nível superior ou ensino médio (antigo 2.º grau) completo e àquelas que trabalharam anteriormente no Vunesp.

O professor Jair Vieira justificou que a mudança na aplicação da prova ocorreu para dar mais transparência ao processo de avaliação. Isso porque a Secretaria da Educação vinha recebendo críticas com relação ao Saresp. A prova é composta de redação e questões (30) de múltipla escolha de Língua Portuguesa.

A Apeoesp (sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), já havia publicado informe publicitário condenando essa avaliação dos alunos pelo Vunesp.

O Informe, com críticas contundentes à Secretaria Estadual de Educação, afirma: Não questionamos a competência do Vunesp, que aplicará o exame do Saresp, mas sim o fato de que nenhum órgão externo é mais competente que os professores para avaliar seus alunos. O professor trabalha com o aluno o ano inteiro. Cabe a ele encaminhar ao conselho de classes e séries o desempenho do aluno para coletividade, ali se tome uma posição, promovendo-se ou retendo-se aquele aluno. A Apeoesp buscará enfrentar política e juridicamente essa questão. Não aceitamos mais este desrespeito aos professores, aos alunos e aos pais.

Solidarizo-me com o protesto da Apeoesp. Atitude inconcebível, verdadeiro autoritarismo pedagógico. A Secretaria da Educação permitir que órgão externo elabore prova para aplicar aos alunos da rede de ensino estadual, inclusive designe pessoas alheias ao quadro do magistério para aplicar as provas, é menosprezar, humilhar os professores titulares.

Como ter um ensino democrático com formação de homens críticos, livres, com professores-educadores despersonalizados, impedidos de elaborar provas, aprovar e reprovar seus alunos? A parte vital de qualquer sistema escolar está no exercício pleno da docência. Não será com esse espírito autoritário e centralizador reinante na Secretaria Estadual de Educação, que teremos um ensino com padrão de qualidade, efetivamente eficiente e democrático.

(*) Rodolpho Pereira Lima é professor aposentado do magistério estadual.

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