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Balança pode ter desequilíbrio com redução drástica do dólar

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

A queda livre do dólar, que ontem teve uma nova baixa de 2,55%, sendo negociado a R$ 2,332 - a menor cotação desde 2 de julho já chegou a 6,57% em dezembro. Essa movimentação chega a preocupar os analistas que temem que a continuidade da queda possa trazer problemas para a balança comercial, com a perda de interesse de empresários em exportar, pela remuneração menor.

O economista Wagner Aparecido Ismanhoto, chefe do Departamento de Economia da Faculdade de Economia da Instituição Toledo de Ensino (ITE), diz que o governo brasileiro está forçando essa queda do dólar para mostrar aos outros países que tem o controle da economia. Ele vê uma certa artificialidade na queda.

No entanto, ele lembra que o mercado paralelo está tentando segurar a cotação, evitando o mesmo índice de queda do comercial.

Para Ismanhoto, depois do dólar ter ultrapassado a barreira dos R$ 2,70, animando os exportadores, que obtiveram resultados melhores, o fato da moeda norte-americana cair para um patamar de R$ 2,33 acaba sendo um desestímulo para as empresas que vinham apostando no comércio exterior.

Existem casos, inclusive, de exportadores que se comprometeram com linhas de créditos com câmbio fechado com valor na alta, esperando que venderiam seus produtos por aqueles valores em alta. Porém, com a queda da cotação e como o dinheiro para pagamento só pode vir do Exterior, esses empresários terão que exportar um volume maior para cobrir o custo do financiamento. Podem não ter prejuízo, mas terão resultados menores do que previam inicialmente, afirma.

Apesar de acreditar na interferência do governo na queda do dólar, Ismanhoto disse que isso não deve perdurar, pois é mais interessante uma estabilidade no patamar de R$ 2,40. Abaixo disso, há o risco de aumento das importações, o que seria muito negativo para a balança comercial e vai contra o que a equipe econômica vem pregando, que é o aumento das exportações. O governo tem encontrar uma taxa de câmbio que não eleve o preço dos produtos no mercado interno. Por outro lado, não pode desestimular as empresas exportadoras. Tem muita gente que não está tão empolgada a exportar como estava há dois meses, arremata.

O economista diz que o cenário para 2002 se desenha para uma certa recessão mundial, o que deve acabar influenciando o Brasil de forma negativa.

Descolamento

Para o delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, a queda do dólar mostra um descolamento em relação ao ambiente externo (principalmente a Argentina). Ele lembra que a moda norte-americana em alta possibilitou uma oxigenação da balança comercial, o que animou os agentes econômicos à medida em que reduziu as dificuldades para fechar balanço de pagamentos.

Cafeo diz que o patamar atingido ontem começa a preocupar, novamente, em relação à balança comercial, o que pode ser a causa de uma elevação das importações. A alta gerou uma conseqüência boa (melhores resultados da balança com mais exportação). Porém, é necessário que o governo fique atento para que não ocorra uma reversão, que seria negativa.

O delegado do Corecon acredita que tão ruim quanto uma cotação elevada é uma cotação muito baixa, à medida que há uma acomodação dos preços internos em torno de um dólar um pouco mais elevado. Nesse momento, o governo tem uma função de monitoramento em cima dessa cotação. É claro que também está de olho na questão do endividamento interno, pois à medida que a cotação da moeda norte-americana cai, custa menos para rolar a dívida interna, ensina.

Cafeo explica que o mais preocupa no Brasil é a volatilidade, o fato de num momento estar com a cotação muito baixa e em outro muito alta, demonstrando uma insegurança.

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