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Padre relata em carta o dia-a-dia do cárcere

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 1 min

O envolvimento da professora Terezinha Zanlochi com a Comunidade de Jovens Cristãos a tornou conhecida entre os padres da região de Ourinhos e Botucatu. Um deles, José Eduardo Augusti, foi preso e acusado de subversivo. Do presídio Tiradentes, em São Paulo, Augusti escreveu uma carta a Terezinha relatando o cotidiano do cárcere. Frei Beto foi seu companheiro de cadeia.

Detido numa cela com 50 pessoas - entre religiosos, jornalistas, engenheiros, operários, estudantes, médicos - ele conta, ao som da música Carolina, de Chico Buarque, que mesmo preso nunca se sentiu tão livre.

A única coisa que me entristece é ver tanto idealismo, tanta força, tanto valor, limitados dentro das paredes de um cárcere, escreveu. Augusti, que morreu recentemente, afirmou que a prisão foi sua melhor experiência de vida. Nunca me senti tão padre como aqui.

O padre escreveu a carta à professora por volta das 2 horas da madrugada de um dia de setembro de 1969. Como durante o dia a cela está sempre muito movimentada, estou aproveitando o sono do pessoal para conversar com você. Estou ouvindo o ronco do pessoal e aqui no meu rádio a bela Carolina do Chico, relata.

Antes de ser transferido para o presídio Tiradentes, Augusti ficou detido cinco meses na cela do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo. Quando escreveu a carta para a professora, o padre já estava preso há três meses.

Antes de encerrar a carta, o religioso reafirma, mais uma vez, sua satisfação em estar preso. Como é gostoso estar preso, sofrer toda espécie de humilhação junto com todos os que querem a vida.

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