Problemas de relacionamento são inevitáveis em ambientes onde muitas pessoas são obrigadas a conviver juntas. É assim em casa, na escola e nas empresas não é diferente. É muito comum encontrar competições entre departamentos, disputas pela atenção dos chefes e, até mesmo, funcionários que simplesmente não se olham na cara por diferenças pessoais.
Como é impossível escolher as pessoas com as quais se divide uma profissão ou montar um grupo onde todos sejam amigos, é preciso saber lidar com todos os tipos de pessoas para que a qualidade do trabalho desenvolvido não seja influenciada por nenhuma diferença.
A publicitária, atriz e diretora de teatro paulistana, Bruna Gasgon é uma especialista no assunto. Há dois anos, ela vem ministrando, em empresas por todo o Brasil, uma palestra chamada: Como conviver bem com pessoas que você não suporta, na qual decifra alguns comportamentos padrões e ensina como eles podem ser neutralizados no dia-a-dia de trabalho.
A atriz esteve em Bauru, na última semana, para participar da festa de confraternização do Sesi de Bauru, realizada na Cervejaria dos Monges.
De acordo com ela, que usa técnicas teatrais para passar o conteúdo de suas palestras (cujos temas são desenvolvidos de acordo com a necessidade do cliente e vão desde a motivação a até como falar bem um público), a maioria das pessoas tem problemas de relacionamento com alguém no trabalho, mas nunca fala diretamente para a razão do seu desafeto que existe uma diferença.
As pessoas têm a tendência de não gostar de uma pessoa e não dizer isso para ela mas sim para todo mundo à sua volta, explica a atriz. O que acontece é que, quando a pessoa não fala diretamente com quem tem o problema, o ambiente de trabalho fica contaminado, cheio de críticas, de fofocas, de estresse, completa.
Dez tipos
Como resolver esse impasse? Para Bruna Gasgon, é questão é simples: chamando o desafeto para conversar e abrindo o jogo. Antes, porém, é preciso se dar conta de que todas as pessoas têm qualidades e defeitos, ou seja, da mesma maneira que alguém é insuportável para uma pessoa, essa mesma pessoa também pode ser intragável para outra e assim por diante
A insuportabilidade humana é uma via de mão dupla, afirma a atriz. Assim, é preciso fazer uma auto-análise primeiro.
Para isso, Bruna Gasgon identificou dez tipos básicos de pessoas que costumam causar problemas de relacionamento no dia-a-dia. Segundo ela a lista não é uma forma de apontar os defeitos dos outros mas também de identificar em si mesmo uma ou algumas das características. (veja boxe nesta página)
Auto-conhecimento
De acordo com Bruna Gasgon, que também se considera uma pessoa difícil em certos aspectos, é impossível olhar para essa lista sem se encaixar em alguns dos perfis. A partir do momento que a pessoa se identifica e pensa na possibilidade de mudar seu modo de ser já há uma evolução, segundo a atriz.
O grande segredo em se relacionar bem com as pessoas, então, é mudar a si mesmo e não querer mudar os outros. Ninguém muda ninguém. Se você convive com alguém difícil, você é que tem que ter uma nova atitude em relação à pessoa para que essa atitude neutralize o comportamento dela, ensina.
De acordo com Gasgon, algumas pessoas têm mais facilidade em enxergar seus problemas e tentar resolvê-los do que outras. As que demoraram mais para mudar são portadoras do que a atriz chama de doenças invisíveis, aqueles distúrbios de comportamento (representados pelas características dos dez tipos) que fazem com que ela, muitas vezes, estrague os seus relacionamentos pessoais e profissionais.
Quando a pessoa se conhece e também identifica essas doenças invisíveis em outras pessoas, aprende que não vale a pena brigar com elas, se irritar ou se deixar atingir por elas. Não é preciso se estressar, a solução é ter paciência, saber que a pessoa é daquele jeito e que nada vai mudá-la e tomar uma atitude diante disso, explica a atriz.
A atitude é colocar uma lente de aumento em cima do problema, abrir o coração e chamar a pessoa para uma conversa. Você não precisa ficar amigo da pessoa, só tem que deixar claro que no trabalho vocês precisam um do outro e que, como profissionais, devem passar por cima das diferenças, ensina Gasgon.
Os dez tipos de pessoas difíceis
Brucutu - A pessoa estúpida, agressiva, que trata os outros mal, trepudia e não pede desculpas porque não sabe que o magoou. Se for um chefe, a pessoa vai ter problemas, mesmo que hierarquia não queira dizer que o subordinado deve ser tratado com falta de educação.
Kid-Tocaia - É aquela pessoa que está escondida. É a invejosa que fala mal de uma pessoa para empresa toda só porque ela foi promovida no seu lugar. Também vale para a mulher cujo marido a trocou pela melhor amiga; o homem mandado pela mulher; o cara velho que tem um chefe jovem... Na frente da pessoa ele dá umas indiretas e quando a pessoa reclama ele alega que é brincadeira.
Sabe-tudo - É o convencido, que fala que faz e acontece. Algumas pessoas acham que ele quer humilhar e sofrem por isso, mas o problema é dele. Ele é que tem um problema de insegurança que faz com que precise ficar falando sobre o que tem, o que faz, etc.
Pensa-que-sabe - É o oposto do Sabe-tudo. Ele não se acha interessante, não tem o dinheiro que gostaria, não viajou, não fala línguas... Ele mente sobre tudo isso.
Rambo - É o primo do Brucutu. Ele também é estúpido, sabe que te magoou e logo depois vai correndo pedir desculpas. No minuto seguinte ele dá outra patada.
Quebra-galho - É um tipo comum nos escritórios. Ele tem o foco nas pessoas, quer ser amável, promete mil coisas para parecer legal e não consegue cumprir os favores. As pessoas acabam ficando irritadas com ele.
Roda-presa - É o indeciso. Se tiver um cargo de comando os subordinados estão perdidos porque ela não consegue decidir.
Enigma - É o que se fecha e não deixa as pessoas saberem o que ele está sentindo. A forma de expressão velada é como ele agride as pessoas.
Frente-fria - É a pessoa pessimista, para baixo, que contamina os outros com o seu pessimismo.
Disk-problema - É aquela que reclama de tudo. Nunca nada está bom na vida para ela.