Geral

ANALFABETISMO OFICIAL

Ivan Garcia Goffi
| Tempo de leitura: 2 min

Há pouco mais de um ano me vi discutindo (no bom sentido) com duas professoras da rede pública, pois que defendiam o ensino por ciclos, instituído pelo famigerado ministro Paulo Renato. Com a consciência limpa de quem foi contra a eliminação das provas no ensino como única forma de evitar a repetência, desde o início, vejo hoje o nefasto resultado da doentia empreitada.

Se não bastassem as publicações das revistas Veja e Isto É sobre denúncias de semi-analfabetismo entre alunos de curso médio e analfabetismo completo entre os do ensino fundamental, a derrocada final veio com o exame feito com alunos do ensino médio, de 32 países, onde o Brasil classificou-se em último lugar (leitura obrigatória, JC 5/12/01, p. 19); fomos o único País, dos 32 participantes, a ter nível 1, e aquele ministro ainda tem o desplante de dizer que o resultado foi melhor que o esperado. Meu Deus, perdemos para a Letônia, México, Egito e outros países sem expressão mundial.

Se já não bastasse tanta desgraça, a Globo divulgou, recentemente, um analfabeto sendo aprovado em duas universidades, mesmo tendo chutado as questões objetivas e não tendo feito a redação. Ato contínuo, somente depois de denunciado pela mídia, o ilustre, sábio e temperado guru da educação decidiu que as faculdades deverão exigir redações e SÓ NÃO PODE ZERAR. Zerar não pode, mas pode tirar 0,5! Seria muito exigir, para ingresso numa universidade, uma média sete em redação, por exemplo? Seria muito exigir que um curso superior, pelo caráter de seu ensino, fosse composto somente por cidadãos que detivessem um razoável conhecimento da língua pátria?

A cada aparição desse indivíduo não consigo me furtar a um misto de rancor e ódio; ódio, porque ele justifica o injustificável com um fingimento pueril de que está tudo bem, tudo vai melhorar e nada de ruim poderia acontecer e, rancor, por ver que o ensino fundamental, médio e superior estão caminhando para a falência absoluta por causa de um insano e uma cúpula governamental incompetente e condescendente com a ignorância nacional. Da mesma forma que discordei daquelas duas professoras e vi minhas previsões concretizarem-se, tenho certeza de que em cinco ou dez anos estaremos diante da pior e mais dantesca fase cultural e educacional de nosso País. Infelizmente, mexer na educação e cultura de um povo causa traumas indeléveis de difícil reparação, conseqüência direta de uma política insana e irresponsável. Fora, Paulo Renato! (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173)

Comentários

Comentários