Cerca de 40% dos alunos de 4.ª e 8.ª séries das escolas estaduais tiveram desempenho insuficiente ou insatisfatório.
A maioria dos alunos de 8.ª série das escolas estaduais de Bauru tiveram desempenho insatisfatório ou insuficiente no Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp). Na 8.ª série do noturno, 61,8% dos estudantes não conseguiram acertar 15 das 30 questões da prova e deverão fazer a recuperação de férias, no mês de janeiro.
O Saresp vem sendo aplicado desde 1996 pela Secretaria Estadual de Educação e tem como objetivo avaliar o desempenho escolar dos alunos, auxiliar na formulação da proposta pedagógica da escola e na promoção de ajustes no trabalho realizado pela equipe escolar. Neste ano, foram avaliadas as 4.ªs e 8.ªs séries.
Em média, 40% dos alunos de 4.ª e 8.ª séries das escolas estaduais de Bauru tiveram desempenho insuficiente ou insatisfatório (ver quadro nesta página). O resultado está abaixo da média do Estado, em que 30% dos 880 mil estudantes avaliados farão recuperação.
O exame deste ano foi aplicado pela equipe responsável pelo vestibular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o Vunesp. Nos anos anteriores, a própria Secretaria Estadual de Educação, através dos professores, aplicava a prova do Saresp.
A prova foi composta por 30 questões de múltipla escolha e uma redação. Em Bauru, participaram 12.127 estudantes. Os alunos que acertaram até 14 questões, ou seja, menos da metade da prova, deverão fazer a recuperação de férias no mês de janeiro. Eles serão submetidos a um novo exame no final do próximo mês. Aqueles que após a nova prova não atingirem aproveitamento suficiente farão a recuperação de ciclo durante o ano de 2002.
Alunos
Os estudantes da 8.ª série noturna da escola estadual Eduardo Velho Filho, em Bauru, estão descontentes com o resultado do Saresp. A festa de formatura, da qual eles participariam esta semana, foi cancelada em virtude da grande quantidade de alunos que fará a recuperação de férias.
Os alunos que já haviam sido aprovados nas disciplinas cursadas durante o período escolar e terão que fazer a recuperação por conta da nota no Saresp são os mais decepcionados. É o caso de Evaldo Pereira da Silva, que cursou ensino supletivo de 5.ª a 8.ª série. Na escola, eu fechei as disciplinas com média dez, mas fui reprovado no Saresp, conta.
Nair Godoy, que também cursou supletivo na escola estadual Eduardo Velho Filho, apesar de ter sido aprovada no Saresp, afirma que o conteúdo do exame não corresponde ao aprendizado em sala de aula. Não caiu nada do que estudamos em classe, enfatiza.
A redação foi apontada como a principal dificuldade por Tâmires Leão de Oliveira Santos, que cursou a 8.ª série na escola estadual Luiz Zuiani.
Para a professora de Português Nilza Maria Luz Garcia dos Santos, da escola estadual Guia Lopes, o fato dos alunos que estudam em período noturno trabalharem durante o dia contribui negativamente no aproveitamento escolar. Infelizmente, o resultado foi muito baixo, frisa.
O professor de História Leonam Loureiro da Silva acredita que o resultado baixo é resultado da política de Ensino da Secretaria Estadual de Educação. O problema é o sistema de progressão continuada, diz.
Já o dirigente regional de Ensino, Jair Sanches Vieira, considera esperado o resultado do Saresp em Bauru. Todos os alunos que obtiveram resultado insuficiente acertaram entre 13 e 14 questões. Eles estão muito próximos do 15, avalia.
Ele alega, ainda, que a maioria dos alunos não-aprovados no Saresp teve mais de 75% de faltas e foi reprovado na 8.ª série do ensino fundamental neste ano.
No ano passado, 25 das 71 escolas avaliadas na Diretoria de Ensino de Bauru tiveram desempenho acima da média do Estado no Saresp. Os índices de aproveitamento por escola deste ano devem ser divulgados pela Diretoria Regional de Ensino até o final desta semana.
Progressão Continuada
Na opinião de Suzi da Silva, conselheira do Sindicado dos Professores da Rede Oficial de Ensino (Apeoesp), o sistema de progressão continuada é o grande responsável pelo desempenho ruim dos alunos da rede estadual no Saresp. A progressão continuada deve ser repensada. Ela causa a falta de interesse dos alunos, a indisciplina, a violência nas escolas e a insatisfação de pais e professores. O aluno vai passando de uma série para outra sem conhecimento, afirma.
Esta foi a primeira vez que avaliou-se o sistema de progressão continuada, instituído em 1998. Ele estabelece ciclos de 1.ª a 4.ª séries e de 5.ª e 8.ª séries. Nas séries intermediárias, os alunos podem ser reprovados apenas por faltas. A reprovação por conteúdos é prevista apenas no final de cada ciclo.