O advogado José Zonta Júnior, que desde o início desta semana está defendendo o carcereiro Fernando César Rodrigues, considera descabido e exteporâneo o pedido de prisão preventiva de seu cliente. Zonta Júnior afirmou que Rodrigues foi vítima de uma armação e que as circunstâncias do caso não são as que a lei prevê a decretação de prisão preventiva.
Zonta Júnior ressaltou que a lei prevê a prisão preventiva apenas para garantir a ordem pública, por conveniência de instrução criminal e para garantir a aplicação da lei penal, situações que não seriam a de seu cliente. O advogado, que passou a defender Rodrigues através da Associação dos Investigadores de Polícia de São Paulo, afirma que o celular do seu cliente, principal prova da acusação até agora, foi usado indevidamente, por terceiros, para fazer ligações.
Rodrigues é acusado, pelo ex-presidiário Douglas Rogério Reducino, de ter participado da fuga de 89 dos 161 presos da Cadeia Pública de Bauru, o Cadeião, no dia 11 do mês passado. O inquérito instaurado pela Polícia Civil para apurar a fuga em massa concluiu que o carcereiro participou da ação, avisando, por telefone, integrantes da quadrilha que entraram na cadeia sobre o momento certo para agir.
Em troca, de acordo com Reducino, o carcereiro receberia R$ 15 mil. O promotor Paulo César Foganholi, que no final do mês passado negou o pedido de prisão preventiva para o carcereiro, mudou seu posicionamento após receber o laudo da quebra de sigilo telefônico de Rodrigues. O laudo revela que do celular do carcereiro foram feitas ligações para acusados de planejar e executar o resgate de presos.
O promotor, após ter acesso ao laudo, convenceu-se da participação do carcereiro na fuga em massa. Em função disso e pelo fato de Rodrigues não ter comparecido a audiências do processo instaurado pela Delegacia Seccional para apurar a fuga no âmbito administrativo, Foganholi pediu a prisão preventiva do acusado.
Segundo o advogado, no dia da fuga, Rodrigues entrou nas celas, para atender alguns presos, deixando o seu celular na portaria, onde estava um preso de confiança, que tem liberdade para transitar nas dependências internas da cadeia. Zonta Júnior afirma que durante esse tempo o celular de Rodrigues foi usado por outra pessoa. Ele disse que vai pedir que o celular passe por perícia para investigar a possibilidade de clonagem.
O advogado também disse que vai solicitar a reconstituição da fuga. De acordo com Zonta Júnior, Rodrigues não compareceu à audiência na Delegacia Seccional porque o advogado que o defendia até a semana passada não estava na cidade e o orientou a não depor sem acompanhamento. A Polícia Civil procurou, mas não encontrou o carcereiro em seu endereço, chegando-o a convocá-lo através do Diário Oficial para audiência do processo administrativo.
De acordo com o advogado, o carcereiro está, temporariamente, na casa de parentes, em Bauru, porque vinha sofrendo ameaças na sua residência, mas teria informado a mudança à Polícia Civil através de um colega. Zonta Júnior garante que Rodrigues vai comparecer à próxima audiência na Delegacia Seccional, marcada para 6 de janeiro e à audiência no Fórum, na sexta-feira.