Mais um Natal está florescendo em nossas vidas! Veio rápido, vocês não acham? Parece que correu muito depressa, como não desejaria ninguém porque acontecendo assim, com a rapidez dos ventos, determina também que a nossa existência acelere sua caminhada rumo ao crepúsculo! Contudo, como desacelerar as suas pegadas se isso não depende da gente, pois foi determinação de Deus quando acenou a humanidade com o mês, o dia e a hora para que o evento acontecesse mediante o nascimento de seu Filho? Não se tem jeito, sem dúvida, ainda que os homens, que vivem por aí tentando destruir o mundo com sofisticadas armas nucleares aspirem apagar as luzes natalinas com a força coercitiva de seus pensamentos e de seus músculos e, dessa forma, queiram arrastar a história a uma total reviravolta, negando os méritos do nascimento de Jesus, que vai, no decurso inexorável do tempo, orientado a sua posteridade para o bem e o amor fraterno.
Estamos diante do cenário natalino de 2001. Como poderiam tentar os seres humanos torná-lo suave e harmonioso como o deseja ardentemente o seu excelso Criador? Será que o decálogo da serenidade humana poderia ser o grande remédio exigido pela doença? Todavia, o que é ela? Como seria em toda a sua contextura? Diz um filósofo que, para consegui-la, deveriam todos disciplinar totalmente o seus dias com absoluta grandeza de alma, fundamentalmente prometendo a si mesmos como ensina a filosofia humana. Dir-se-ia, então: Só por hoje, tratarei de viver inteligentemente este meu dia, sem querer resolver o problema de minha vida toda de uma vez. *** Só por hoje, terei o máximo cuidado com meus modos de tratar os outros: serei delicado nas minhas maneiras, não criticarei ninguém e não pretenderei melhorar ou disciplinar ninguém, senão a mim. *** Só por hoje, eu me sentirei feliz, com a certeza de ter sido criado para ser feliz não só no outro mundo, mas também neste. *** Só por hoje, eu me adaptarei às circunstâncias, sem pretender que as circunstâncias se adaptem aos meus desejos. *** Só por hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, lembrando-me de que, assim como é preciso comer para sustentar meu corpo, também a leitura é necessária para alimentar a vida de minha alma. *** Só por hoje, praticarei uma boa ação, sem contá-la a ninguém. *** Só por hoje, farei uma coisa de que não gosto e se for ofendido nos meus sentimentos procurarei que ninguém o saiba. *** Só por hoje, finalmente, farei um programa bem completo do meu dia. Talvez não o execute perfeitamente, mas, em todo caso, vou fazê-lo. E me guardarei bem de suas calamidades: a pressa e a indecisão.
Não há dúvida de que a serenidade de espírito e de coração pode muito bem figurar no domínio de todos, pois somos criadores da nossa própria felicidade ou do nosso próprio sofrimento, eis que todas as coisas têm origem na nossa mente. Entendemos que ela poderia ser buscada empenhadamente, a partir deste novo Natal, por aqueles que não tiveram ainda a imensa ventura de encontrá-la nos outros!
(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.