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La Torloni: forte e marcante

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 5 min

A atriz Christiane Torloni, que esteve em Bauru apresentando a peça Joana Dark, a Re-Volta, conta um pouco de sua trajetória, do teatro e outros assuntos.

Christiane Torloni, assim como outras atrizes, vem de uma família de atores. Seus pais, Geraldo Matheus e Monah Delacy foram da primeira turma da Escola de Arte Dramática de São Paulo, uma das mais importantes do País. Porém, Christiane só se decidiu pela carreira artística aos 19 anos quando a atriz sentiu, no palco, o que chama de apelo vocacional. É uma coisa irracional, como se fosse um chamado místico, disse.

Com auto-confiança e segurança transparentes, que envolvem as pessoas que a rodeiam, Christiane fala sobre qualquer assunto sem titubear. Questionada sobre o prêmio concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) de melhor atriz com sua personagem Laila de Um Anjo Caiu do Céu, a atriz se surpreendeu: Eu ganhei? Quando saiu?.

Ela disse que quando se recebe um prêmio, deve ser com muita humildade. Às vezes a gente acredita demais nessas coisas e quando não somos indicados, nos magoamos muito, afirmou. Christiane falou que receber prêmios por trabalhos realizados na televisão é interessante porque a televisão, de acordo com ela, é considerada, no Brasil, como subcultura. Apesar disso é um dos melhores produtos que temos, não só de consumo interno, como também de exportação. Esses produtos dão uma visibilidade enorme da nossa cultura, do nosso povo para fora do Brasil, então eu acho interessante quando a própria associação de críticos começa a perceber que a televisão tem essa posição. Ganhar prêmio é sempre bom, explicou.

Sobre o trabalho realizado na novela Um Anjo Caiu do Céu, a atriz global disse que gostou muito de ter feito, principalmente porque o autor da novela, Antônio Calmon disse a ela que escreveu o papel de Laila especialmente para Christiane. Quando um autor fala que escreveu um papel especialmente para você, é como se ele estivesse te pedindo em casamento. Em geral, os autores são muito sedutores, contou.

A personagem Laila foi muito marcante por seu jeito cômico de falar e agir. Christiane disse que é muito mais difícil fazer comédia do que drama. O tempo da comédia é um tempo musical que normalmente o ator tem e se não tem não pega, é difícil. Na televisão é mais difícil ainda porque nós não temos o público ali presente, então, quem ri, se o seu tempo estiver certo? Nessa hora a equipe dos técnicos que trabalha com você é muito importante, porque se você vê, por exemplo o cameraman rindo nos ensaios, você vê que está certo, detalhou.

Laila era uma mulher chiquérrima que ditou moda no Brasil, tornou-se adjetivo. Muitas mulheres brasileiras a imitaram no jeito de se vestir e de falar e era comum ouvir-se por aí: hoje você está um pouco Laila. Normalmente, os papéis representados por Christiane são assim, por algum motivo marcam e ficam na memória das pessoas. Foi assim também com a divertida Jô Penteado de A Gata Comeu, por exemplo, que há poucos dias estava sendo reprisada pelo Vale a Pena Ver de Novo.

A atriz explicou que para se conseguir esse êxito, a equipe é essencial e, com Laila, existiram pessoas trabalhando com ela que foram peças chaves para o sucesso da personagem. Tive uma equipe muito boa dando sustentação. O Osvaldo Arca é um costureiro de alta costura, a Emília é uma figurinista excelente que melhorou, sem dúvida nenhuma, o meu trabalho. Todas as minhas jóias foram feitas sob encomenda. Aí você percebe que você tem uma equipe que três meses antes de você chegar já estava trabalhando e quando você chega num estágio da sua carreira em que você só trabalha com os melhores, os prêmios chegam. A Laila é um prêmio que eu tenho que dividir como se fosse um bolo, disse.

Corpo e movimento

Christiane esteve em Bauru em cartaz com a peça Joana Dark, a Re-Volta, que tem a direção de José Possi Neto. O espetáculo conta a história dessa guerreira francesa sob a ótica da escritora e atriz Carolyn Cage.

Christiane explicou que na peça Joana Dark está clara a diferença entre movimentar-se e se mexer. Eu não tenho o texto como a coisa mais importante do espetáculo, é apenas uma parte da partitura, uma pontuação. A peça Joana Dark conta isso porque é um trabalho de uma parceria com Possi, e ele me impressionou com o espetáculo de teatro-dança e eu queria por qualquer custo trabalhar com ele. Eu comecei a me alinhar com o trabalho dele e eu sabia que, mesmo sem ser uma bailarina, o meu trabalho iria se desenvolver através desse artista e isso tem sido feito, disse.

No espetáculo, de acordo com ela, o texto de Joana Dark é a linha melódica da partitura, o resto fica por conta das luzes, cenários, trilha sonora, figurino, tudo são pontuações e um sem outro não funciona.

Christiane disse que o teatro é uma arte em que o ator tem que ser tudo. Ela explicou que se o ator tem que ser o corpo, a alma, o espírito, a mente, a luz de tudo aquilo, então ele tem que tentar retirar desses instrumentos o máximo. Não dá para achar que o corpo do ator é um corpo que não dança, um corpo que não fica de cabeça para baixo, então temos que trabalhar de uma maneira simples, lúdica, como uma criança brincando, então quando se vive a experiência cênica com essa naturalidade, o espectador é pego sensorialmente, quando ele percebe, ele já se entregou, explicou.

Christiane disse que logo deverá estrear um outro trabalho ao lado de Possi Neto, igualmente cheio de movimento. O teatro-dança faz parte do estilo do diretor e também da atriz, que trabalha cada vez mais para que seus personagens continuem sendo fortes e marcantes não somente na personalidade, mas de corpo, já que o objetivo é contar histórias também através dos movimentos do teatro-dança.

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