As micronações, comunidades de indivíduos com idéias semelhantes, formam um universo paralelo na Internet.
Muita gente ainda não sabe o que é, nem mesmo dono de provedor e jornalista especializado no setor. Mas uma coisa é certa: as micronações estão colonizando o mundo virtual e ganhando território e cidadãos a cada dia. Pelo que se tem notícia, são mais de 200 em todo o mundo.
De acordo com os próprios micronacionalistas, micronações, micropaíses, estados efêmeros, estados imaginários, países-maquete, contra-países e estados não-reconhecidos, são comunidades de indivíduos com idéias semelhantes, organizados sob uma estrutura nacional com população, governo, leis, símbolos nacionais e tudo o mais que define uma nação, só que não possuem soberania reconhecida pelos países reais (macronações). Daí podemos afirmar que um universo paralelo está se consolidando.
Quase todas as micronações usam a Internet como a principal forma de divulgação de suas atividades e de comunicação entre seus cidadãos, que podem inclusive ter dupla nacionalidade. Ou seja, podem fazer parte de mais de uma nação.
No Brasil, o micronacionalismo surgiu em 1996, com a entrada do sítio do Reino do Porto Claro na Internet. Em janeiro de 97, havia menos de 10 brasileiros micronacionalistas e uma única micronação. Hoje, o número total de praticantes ou participantes é de pelo menos duas mil pessoas, distribuídas em 26 micronações lusófonas (25 no Brasil e 1 em Portugal) e espalhadas pelas mais de 150 existentes em outros países.
Quando se entra na micronação Reunião, uma mensagem do presidente Seja bem-vindo ao Sacro Império de Reunião! Você deve estar pensando: mas do que se trata esta maluquice? Vou tentar explicar, em (nem tão) rápidas pinceladas o que é e como funciona esta simulação política, esta micronação, que envolve mais de 300 pessoas distribuídas por todo o mundo, e que já foi alvo de reportagens por alguns dos jornais mais vendidos e conceituados de países como Brasil, Itália, Grécia, Estados Unidos, Inglaterra, Taiwan e França.
Entre os estudiosos deste fenômeno está o professor francês Fabrice O Driscoll, presidente do Instituto Francês de Micropatriologia, que publicou no final de 1999 o livro Ils ne siègent pas a lONU, da editora Les Presses du Midi (pode ser adquirido via Internet, por cerca de 20 euros). A micropatriologia estuda a possibilidade de se criar sociedades artificiais.
Afinal, uma micronação nada mais é do que uma simulação política, um hobby que envolve pessoas que gostam de política, história, e relações internacionais. Geralmente nasce da reunião de algumas pessoas que fundam um país com todas as características de um Estado Nacional, menos uma: jurisdição sobre seu território. Mas com população, governo e principalmente, cidadania.
Como o número de países cresceu muito, e tal qual no mundo real existe uma luta de poder entre os países, foi criada a Liga dos Estados Secessionistas (L.O.S.S.), que seria a ONU das micronações, cujos membros são as nações mais influentes do chamado Mundo Micronacional.
Convenção no Brasil
Líderes e cidadãos de mais de dez nações de língua portuguesa se reuniram no dia 27 de outubro deste ano na I MicroCon, a primeira convenção de micronacionalistas da América Latina, realizada na Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp). Entre palestras e mesas-redondas, mais de 60 micronacionalistas das Repúblicas de Marajó, Orange, Porto Claro e Campos Bastos, Reunião, o Reino dos Açores, o Califado Malê do Brasil, e muitas outras nações, debateram diplomacia, cultura, trabalho e identidade nacional.
A I MicroCon foi resultado de uma parceria entre as micronações e a Assembléia Legislativa paulista. A idéia inicial era também firmar, durante a convenção, o Tratado do Ibirapuera. No documento, a Assembéia se comprometeria a divulgar o micronacionalismo e assessorar os governos micronacionais sobre o processo parlamentar, do outro lado, as micronações que assinariam o tratado divulgariam projetos em tramitação no legislativo paulista de interesse dos micronacionalistas, especialmente questões referentes à juventude e informática, estimulando assim a participação política real de seus cidadãos. Entretanto, por motivos não divulgados, o tratado não foi assinado neste encontro.
As micronações
O Movimento Micronacional se divide, classicamente, em sete tipos:
Derivatistas todos seus elementos são reais; os cidadãos utilizam-se seus verdadeiros nomes, a nação localiza-se, geralmente, onde mora seu líder ou fundador, e sua história começa a partir de sua fundação, sem nada fictício.
Modelistas - misturam a ficção com a realidade; seus membros podem usar pseudônimos, mas jamais assumir personagens, a localização pode ser em qualquer lugar do globo terrestre, podem adotar histórias fictícias até a fundação, e a partir daí escrevem sua verdadeira história.
Peculiaristas - praticamente fictícias; seus membros podem assumir vários personagens, inclusive não-humanos, sua localização pode ser em um outro planeta ou dimensão e sua história é sempre fantástica, mas um lugar ou um fato pode ser real.
Virtualistas têm características de qualquer uma das três categorias já mencionadas, consideram-se países irreais ou até cidades virtuais; não são consideradas micronações, e sim jogos de RPG on-line,
One-man nations, micronações formadas apenas de um habitante ou mesmo por vários, que por vaidade ou qualquer outro motivo, têm seu fundador como única pessoa que realmente decide o que deve ser feito, como único cidadão activo.
Concretistas - (supostas) micronações reconhecidas como soberanas e independentes por uma ou mais macronações, não sendo, porém, membros da ONU.
Projectistas - projetos de uma nação ideal, onde um sistema de governo e estrutura social são montados, sem a intenção de tornar um micropaís ativo, muitas surgem como trabalho escolar ou até mesmo para ilustrar as idéias de um determinado partido político.
Nações internacionais na Internet
United Micronations http://www.angelfire.com/me/lvz/union.html
LOSS - League of Secessionist Stateshttp://www.geocities.com/CapitolHill/5111/
UNPO - Unrepresented Nations and Peoples Organization http://www.unpo.org/
Ark Maramija http://www.chemi.muni.cz/~jdqh/ark.html
Baja Arizona - Republic of Baja Arizona http://www.treefort.org/~rgrogan/web/baja-a.htm
Corvinia http://users.cybercity.dk/~bcc6937/corvin.html
Identidem de Lati - Empire of Identidem de Lati http://www.sidwell.edu/~trigohau/identidem.html
Ladonia http://www.ladonia.net/
Lafartia - The Glorious Empire of Lafartia.
Landreth - The Kingdom of Landreth http://members.aol.com/LIADirect/KOL.html
Lectoria - The Kingdom of Lectoriahttp://www.datasync.com/~titus/front.html
Malveale - The Soverign Republic of Malveale
Merovingia - Kingdom of Merovingia http://www.geocities.com/CapitolHill/5205/
Ottawak http://members.aol.com/ottray/index.html
Pacária http://www.geocities.com/CapitolHill/9183/index.html
Port Colice - Commonwealth of Port Colice http://www.access.digex.net/~redcap/portcolice.html
Principado de Zugesbucht http://www.angelfire.com/me/lytz/ccsd.html
Riesenguthland-Ellermark - Kingdom of Riesenguthland-Ellermark http://www-public.rz.uni-duesseldorf.de/~oth/kre.html
Sedang http://www.interlog.com/~dmak/sedang.html
Talossa - Kingdom of Talossa http://www.execpc.com/~talossa/index.html
Utopia - United Provinces of Utopia. http://www.chesco.com/~bhart/
Vanesia - Sovereign Order of Vanesia. http://www.geocities.com/CapitolHill/5627/index.html