Nos Estados Unidos, a proporção é de três vigilantes particulares para cada policial atuando nas ruas. Os gastos ultrapassam os US$ 50 bilhões por ano.
Arcar com as despesas de vigilantes particulares tem sido uma das opções adotadas em vários lugares do mundo para prevenir a ocorrência de furtos e roubos. Se a Polícia não dá conta de evitá-los, as empresas que oferecem o serviço comemoram um crescimento vertiginoso nos últimos anos, principalmente nos países de primeiro mundo. No Brasil, a contratação de vigias para guardar residências ainda é tímida em comparação ao que se observa nas áreas comerciais e industriais, mas já pode ser observada.
Nos Estados Unidos (EUA), porém, o número de agentes particulares de segurança é três vezes maior que o de policiais, conforme informa Bruce Benson, professor da Universidade da Flórida, em artigo publicado na Revista A Força Policial (n.º 30, edição de abr/mai/jun de 2001).
Benson afirma que as atividades criminosas apresentaram uma importante redução nos EUA a partir de 1991. Segundo ele, isso se deve à combinação de vários fatores, incluindo a construção de prisões, rigor na determinação de penas aos condenados, baixos níveis de desemprego, guerra contra as drogas e a implantação do policiamento comunitário.
Porém, existe um outro fator, talvez mais importante, que tem sido em grande parte ignorado: os cidadãos comuns responderam à ameaça do crime investindo somas cada vez maiores em sua prevenção (...), incluindo a vigilância, o patrulhamento, a instalação de alarmes, o aperfeiçoamento de fechaduras e iluminação e o investimento em defesa pessoal, diz o texto.
O autor ressalta que o uso da segurança privada apresentou elevação a partir de 1970. Naquele ano, uma estimativa mostrava que o número de agentes particulares de segurança era quase igual ao dos membros da segurança pública. Vinte anos mais tarde, em 1990, havia cerca de 2,5 agentes (cerca de 1,5 milhão no total) para cada policial.
Benson acredita que a proporção já deve ter alcançado três para um na atualidade. Em 1990, foram gastos em torno de US$ 52 bilhões em serviços particulares de segurança nos EUA, em comparação com US$ 30 bilhões destinados às polícias locais, estaduais e federal, comenta. Ele acrescenta que boa parte dos lares norte-americanos conta com sistemas de alarmes e outros dispositivos eletrônicos.
Para o comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM-I), tenente-coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, e o comandante da 1.ª Companhia da Polícia Militar de Bauru, Benedito Roberto Meira, a opção pela segurança privada é uma realidade mundial e inevitável. Somos favoráveis ao serviço, desde que seja por uma empresa devidamente legalizada e fiscalizada, segundo as normas da Polícia Federal. Neste caso, o vigilante é treinado, faz cursos e passa por períodos de reciclagem regularmente, o que não ocorre com o vigilante informal, salientam.
Eles comenta que um vigia despreparado pode trazer sérias dores de cabeça ao cidadão que o contrata. Já aconteceu de um vigilante matar um ladrão usando a arma do próprio morador que o contratou, quer dizer, ao invés de oferecer segurança, o vigia informal põe em risco o cidadão, concluem.