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Cresce procura por alarmes e câmeras

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

A procura por dispositivos eletrônicos tem aumentado ano a ano nas últimas décadas, de acordo com empresas do setor. As vendas são mais freqüentes nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, quando boa parte da população viaja em férias ou para o Carnaval.

Os alarmes simples são os mais baratos e de fácil instalação. Ao custo aproximado de R$ 300,00 (variável conforme o tamanho da casa), são colocados sensores em portas e janelas de todos os cômodos. Eles acionam uma sirene caso captem qualquer movimento. A desvantagem é que o aparelho só pode ser desligado dentro da residência e se ele disparar enquanto o morador estiver viajando, toda a vizinhança terá que suportar o barulho por horas ou até dias.

A solução pode ser o alarme monitorado que, ao disparar, aciona uma central da empresa responsável. Graças a um sistema de computador, a empresa identifica imediatamente o ponto da casa que foi invadido e envia funcionários ao local para tomar as devidas providências. Os funcionários possuem a chave do imóvel e desligam as sirenes assim que o problema é resolvido.

O monitoramento pode ser adotado para outros sistemas de segurança e nós temos controle absoluto do que acontece. Sabemos o horário em que o sistema foi ativado e por quem. Podemos acender a apagar luzes à distância e temos códigos até para identificar, por exemplo, se o ladrão está ao lado do nosso usuário, comentam os irmãos Ricardo e Rodrigo Saes Lopes, proprietários de uma empresa de monitoramento eletrônico.

Segundo eles, o custo deste serviço varia entre R$ 30,00 e R$ 60,00 ao mês, mais o valor do equipamento adquirido. Além do monitoramento, em algumas empresas o usuário pode solicitar o recolhimento de correspondências e até a escolta noturna para entrar em casa.

Câmeras e luzes

Outra opção são os dispositivos que usam câmeras de vídeo. usados no comércio há bastante tempo, vêm atraindo clientes residenciais. A opção mais procurada são os vídeoporteiros, em que a câmera é instalada na porta ou portão. O visitante toca o interfone e o morador vê quem está do lado de fora. Mas é possível instalar câmeras em vários pontos, com transmissão seqüencial ou simultênea das imagens. O custo médio de um sistema médio, incluindo três câmeras, é de R$ 1 mil.

Há, ainda, os dispositivos que coibem a invasão, sem alarde, como a fotocélula, que acende e apaga automaticamente uma ou várias lâmpadas conforme a luminosidade do ambiente. Custa entre R$ 10,00 e R$ 15,00. Ou a iluminação inteligente, que acende a lâmpada quando o sensor capta a presença de alguém. Bom para muros, portões, garagens e quintais, custa aproximadamente R$ 40,00.

Outra alternativa são os programadores - equipamentos que podem ser ajustados para ligar e desligar rádios e televisores em horários diversos quando não há moradores na casa. Custa cerca de R$ 65,00.

Presídios

A tecnologia também permite transformar uma casa em um verdadeiro presídio, mas a um custo altíssimo. Um exemplo é a blindagem de paredes, feita com placas de aço ou fibra de aramida que, somada aos vidros especiais, tornam o ambiente à prova de balas. Custa cerca de R$ 3 mil o metro quadrado e só é feita por três empresas no Brasil.

Também é possível esconder casos sensores nos muros, que produzem um campo magnético ao redor da casa numa altura de até dois metros. Custa cerca de R$ 40 mil para cada 1 mil metros quadrados. E há os cabos de audiofreqüência, que captam alterações de som no ambiente ao preço médio de R$ 10 mil, para cada 250 metros.

Uma residência pode comportar todos este itens ao mesmo tempo, incluindo vigilantes, câmeras, alarmes, monitoramento 24 horas, blindagem e os mais diversos sensores. Porém, cálculos superficiais estimam em R$ 3 milhões os gastos com esta segurança. Pode parecer absurdo, mas as empresas garantem que o crescimento do mercado é de 40% ao ano.

Seguro

A procura por seguros residenciais aumentou 70% de março deste ano para cá, afirma o corretor de seguros e presidente do Conselho de Segurança Centro-Sul (Conseg), Primo Mangialardo. Segundo ele, as pessoas têm percebido um aumento na ocorrência de furtos e roubos e isso gera preocupação.

Segundo Mangialardo, o seguro cobre o roubo de bens materiais e até certo valor em dinheiro, além dos danos elétricos causados pela chuva, que são históricos em Bauru, como salienta.

Porém, o corretor destaca que muitas empresas têm se tornado mais exigentes nos últimos anos e só fecham contratos com residências que já dispõem de outros equipamentos de segurança, como alarmes, grades em todas as janelas e vizinhos de todos os lados. O custo deste serviço varia conforme o preço e tamanho do imóvel, sendo o valor médio anual entre R$ 200 e R$ 230 para uma residência orçada em R$ 80 mil.

Cerca elétrica é condenada

As Polícias Civil e Militar de Bauru condenam terminantemente a utilização de cercas elétricas para proteger as casas de furtos e roubos. O mesmo vale para os cacos de vidro e fios de arame farpado sobre os muros. De acordo com várias autoridades ouvidas, uma pessoa ferida por dispositivos deste tipo pode processar o morador por lesão corporal dolosa (intencional).

Apesar de não haver qualquer lei que proíba a utilização dos dispositivos, eles sugerem a adoção de outras alternativas, como levantar os muros ou instalar sensores infravermelhos, que detectam a presença do invasor e disparam alarmes, mas não machucam.

Atualmente, as cercas elétricas têm se mostrado uma febre em Bauru, aparecendo em inúmeras casas, nos mais diversos bairros. Na maioria dos casos, elas encontram-se a uma altura consideravelmente segura. No entanto, a reportagem chegou a localizar o dispositivo em muros com menos de 1,5 metro de altura, que poderia ser facilmente tocada por uma criança.

O titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG/Garra), J.J. Cardia, comenta que Bauru já registrou um caso de morte por cerca elétrica, cerca de oito anos atrás. Ao tentar entrar numa propriedade particular num dia de chuva, um homem foi eletrocutado. O dono do local foi processado por homicídio.

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