Pergunta-se curiosamente se os sinos de bronze falam. E, pensando o suficiente para se definir, responde-se que sim, com visos de veracidade. Todavia, por que se responderia nesse termo, sem receio de errar? É que, naturalmente, os carrilhões grandes ou pequenos, que encantam a quase todo mundo, falam ou conversam à sua maneira, da forma que consideram preciso fazer para ser entendidos e na sua tonalidade específica para que chegaram a ser confeccionados ou fabricados. O curioso é que às vezes tocam em altas vozes, até surpreendendo as populações. Outras, o fazem suavemente, como que desejando amaciar os ouvidos da gente. Outras, ainda, fazem-no estridentemente. Será que enraivecidos por alguma coisa de que não gostaram? Outras mais submetem os ouvintes a diversos estilos e volumes, até mesmo romanticamente, arrebentando corações. Mas, outras também tristemente, como que chorando em velório de alguém. Contudo, que se fazem notar iniludivelmente não se tem disso a menor dúvida.
Hoje, por exemplo, eles estão, no mundo todo, falando sonoramente a quem tenha ouvidos (e todos os têm) para escutá-los avidamente. E, neste dia, sua voz é imprescindível, pois se destina a lembrar à humanidade dos 2001 anos do nascimento do Menino Jesus. Em todo recanto do universo, onde quer que haja um sino, mesmo pequenino, ouvir-se-ão os seus sonoros repiques, relembrando o importante evento e fazendo com que todos se associem ao seu belo alarido. Como associar-se aos seus acordes, eis que os humanos não têm, para tanto, cordas vocais revestidas de bronze? Fazem-no repetindo, como podem, o que entendem do palavreado que sobra dos sons metálicos, saudações afetivas como feliz Natal, ou seja feliz ou também muita paz no dia de hoje e uma variedade de outras expressões, pois é assim a manifestação que vem dos altos, procedente dos templos e outras paisagens divinas. E é também o que dizemos nós do JC aos nossos queridos leitores, augurando a todos a sustentação de um sólido ambiente de amor e compreensão em seus lares, neste dia em que há mais de dois mil anos nasceu aquele que seria a inspiração máxima da humanidade em todos os seus momentos de alegrias ou de tristezas. Que todos tenham muitos Natais pela frente, providos do que de melhor aspirem em todos os sentidos, especialmente saúde e paz. E que nada ocorra que possa sustar o bimbalhar dos sinos. Abraços a todos.
(*) O autor, N. Serra, é o Jornalista Responsável do JC e Delegado Regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.