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Exportação para Argentina deve cair

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

Especialistas acreditam que, no primeiro momento, empresas da região adotem postura de reconhecimento do mercado.

Os próximos 90 dias serão decisivos para os exportadores da região que vendem para a Argentina. Nesse período, que será de reconhecimento da nova economia daquele país, surgirão definições, como a questão cambial, que vão nortear o futuro das transações entre as empresas dos dois países. A opinião é de Antonio Grillo Neto, diretor comercial da Estação Aduaneira Interior - Eadi-Bauru -, administrada pela Companhia Paulista de Armazéns Gerais Aduaneiros Exportação e Importação (Cipagem).

Grillo Neto crê que, aos poucos, começarão a fluir as operações de exportação e importação de produtos com o país vizinho. Ele vislumbra que, momentaneamente, haverá resistência para envio de mercadorias para a Argentina, até que se definam como ficam o câmbio e dos pagamentos.

Muitos empresários brasileiros podem optar por vender produtos apenas com pagamento antecipado. Isso é muito comum no comércio exterior em situações de insegurança como a vivida pela Argentina. Com países em que o grau de confiabilidade não é muito grande, ocorre de os pagamentos serem antecipados, ressalta.

A questão é que os argentinos terão que continuar comprando e vendendo para suprir as necessidades do país e o prazo de 90 dias, na visão de Grillo Neto, será suficiente para ver o que vai ocorrer no longo prazo.

Pé no freio

Para o delegado de Bauru do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, os negócios entre Brasil e Argentina já estão reduzidos desde o início de 2001. No acumulado do ano, o volume de transações caiu 42%, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Cafeo destaca que empresas brasileiras que vendem para a Argentina, principalmente do Sul do País, estão com problemas de recebimento. Há algumas que estão a cinco meses sem receber nada das empresas argentinas que compraram mercadorias ou serviços, como de tecnologia da informação.

Com a moratória, o delegado do Corecon prevê que somente as empresas que têm um grande nível de confiança no comprador argentino ou as que conseguirem vender à vista é que vão continuar a exportar, neste primeiro momento. As multinacionais que têm negócios nos dois países também vão continuar com as transações normalmente. Algumas operações têm seguro contra calote. Outras empresas argentinas foram afetadas pela crise mas não estão quebradas. Se tiverem como oferecer garantias ao exportador brasileiro, evidentemente que esse comércio bilateral poderá continuar, afirma.

Tilibra reduz número de clientes atendidos

A Tilibra que é acionista da Tilibra Argentina, empresa que comercializa no mercado daquele país os produtos especiais fabricados em Bauru, reduziu o número de clientes atendidos na Argentina de cerca de 300 para 15. Ficam as empresas que têm risco de crédito próximo a zero, que são grandes cadeias de varejo, principalmente supermercados, e alguns grandes atacadistas, os chamados mayoristas, informa Vinicius Coube, vice-presidente da empresa bauruense.

Além disso, a Tilibra está negociando com os licenciadores de marcas, como a Disney, adequações nas metas de comercialização, que estão sendo reduzidas em razão do cenário econômico daquele país.

Coube, que esteve na Argentina há 15 dias, não quantifica, mas diz que a redução nas vendas deve ser bastante considerável em relação ao ano passado. Falei ontem (anteontem) com nosso sócio argentino e ele me disse que está tudo parado. Ninguém compra ou vende, pois pode haver um novo pacote nos próximos dias. O feriado bancário só termina em 2 de janeiro afirma.

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