Tinha tudo para dar errado... Embora tenhamos sonhado durante muito tempo, planejado nos mínimos detalhes, erramos num pormenor insignificante: confiamos demais nas pessoas e uma pessoa quase pôs tudo a perder.
Nossa sonhada pescaria em Manaus (AM) corria o sério risco de não sair. Tínhamos somente em mãos as passagens e uma imensa vontade de conhecer aquele lugar tão longínquo de nosso País.
O espírito aventureiro em nós (eu e meu primo Euclides Jacob) falou mais alto e resolvemos encarar. Partimos para São Paulo e de lá, avião até Manaus. Quando lá chegamos, após uma noite insone de viagem, perdemos o dia seguinte dando queixa na polícia local do golpe que nos haviam aplicado. A turma era formada por nós dois de Bauru, dois baianos, Cléber e Marcos, um catarinense de Florianópolis e mais nove ribeirãopretanos.
A maioria resolvera que iria pescar longe dali mais ou menos 18 horas de barco, rio acima, desembolsando para isso uma razoável quantia.
Nós, eu, meu primo e os dois baianos, como teríamos que retornar na data prevista anteriormente (de 2/11 a 9/11), resolvemos ficar ali por perto, indo pescar nos lagos de um rio chamado Atumã, 200 km de Manaus. Esse rio tem a fama de acolher em suas águas grande quantidade de tucunarés, o que nos animou sobremaneira. Os baianos ficaram encarregados das compras e nós dos últimos preparativos para a viagem.
Chegamos à Represa de Balbina em uma van onde ficamos um dia e uma noite. De lá pegamos um barco e descemos mais duas horas, quando chegamos ao acampamento do Roberto, local onde iríamos nos instalar.
As compras efetuadas pelos amigos foram insuficientes, mas o peixe pescado nos salvava da fome. Logo no primeiro dia, pescamos duas piranhas de 2 kg mais ou menos cada uma, pareciam tambaquis de tão grandes... Nossa rotina era sair logo pela manhã, voltarmos ao acampamento para o almoço e retornar à pesca pela tarde. Os lagos Matetuba, Jutuarana e Comprido, onde o piloteiro Paulinho nos levava, realmente tinham uma grande quantidade de tucunarés e fomos presenteados com a pesca de alguns exemplares muito bonitos que serviam para fotos (como as que ilustram nossa crônica) e para aplacar nossa fome. Por várias vezes conseguimos fisgar dois peixes com uma única isca.
Passados três dias, regressamos a Manaus na carroceria de um caminhão abarrotado de pessoas, objetos e animais. Rimos muito, conhecemos pessoas e lugares pitorescos e a pescaria que tinha tudo para dar errado, deu tão certo que até já começamos a planejar a próxima, mas sem confiar demais...
Celso Castilho e Euclides Jacob são pescadores e contadores de história