Poucas indústrias de Bauru já perceberam que praticar a responsabilidade social é uma grande vantagem para a sua imagem perante o seus públicos interno e externo. Essa é uma das conclusões que os universitários Elis Angela dos Anjos, José Alexandre Bodo e Oswaldo Quintiliano Junior, chegaram no seu projeto final de conclusão do curso de Admistração de Empresas da Universidade Paulista (Unip).
A responsabilidade social é um conceito recente, surgido na década passada e impulsionado pelo encontro de Davos, na Suíça, que prega o comprometimento contínuo das empresas, através de um comportamento ético, que contribua para o desenvolvimento econômico, social e ambiental, de todos os agentes sociais com os quais se relaciona.
Na prática, isso significa, de um modo simplificado, exercitar a cidadania de modo a fazer diferença na vida de todos, seus funcionários, clientes, a comunidade em que vive e o meio ambiente em geral.
Responsabilidade social é um comprometimento contínuo do empresário, um investimento que se acompanha e não filantropia, define José Alexandre Bodo.
Para analisar até que ponto as indústrias bauruenses conhecem e praticam a responsabilidade social, o grupo de universitários, orientado pelo consultor empresarial e professor da disciplina de Administração Financeira na Unip, Carlos Roberto Sette, aplicou um questionário para 5% das indústrias da cidade, 27, de um total de 550 estabelecimentos, de todos os tamanhos e ramos de atuação.
As 37 perguntas, respondidas por gerentes e diretores das indústrias, foram baseadas nos moldes do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e abordavam cinco pilares básicos: público interno, consumidores, governo e sociedade, comunidade e fornecedores. Foram abordados temas de discussão nacional dos mais simples aos mais complexos, lembra Sette.
Perguntamos, por exemplo, se a indústria dava participação dos lucros para os seus funcionários; se investia no público interno, através de cursos de reciclagem; se havia casos de assédio sexual ou trabalho infantil na empresa; se ela entrou em algum movimento de combate à corrupção..., completa.
De acordo com o consultor e professor, a amostragem com 5% das empresas se mostrou bastante representativa e confiável do ponto de vista científico porque foi bem distribuída entre indústrias grandes, médias, pequenas e micro. O resultado do trabalho também refletiu a realidade das empresas o que acontece no Brasil em termos gerais, segundo Sette.
Poucos praticantes
A conclusão do projeto apontou que apenas as indústrias grandes e algumas médias praticam a responsabilidade social em Bauru.
De acordo com Elis Angela dos Anjos, o grupo acredita que ainda não exista nas empresas locais uma cultura empresarial nesse sentido e cita o exemplo do 1% de destinação do Imposto de Renda para os fundos de direitos da criança que as empresas podem praticar.
A gente verificou que eles não praticam isso por falta de informação, porque ninguém perde nada com isso, é um valor que eles deixam de mandar para a união para deixar na comunidade mas eles não sabem. Ou seja é falta de informação, diz.
Outro equívoco cometido pela maioria das indústrias que ainda não adotaram a pratica da responsabilidade social é não enxergar esse conceito como uma forma de investimento.
Tudo é um investimento. Quando se faz um treinamento para os funcionários, você está investindo, quando faz um pesquisa de opinião com o público, está investindo. As empresas precisam saber disso, alerta Carlos Roberto Sette.
Vantagens
Segundo o projeto dos universitários da Unip, as empresas que praticam responsabilidade social em Bauru, apontam entre as vantagens: a melhor competitividade, o reconhecimento público, a motivação dos colaboradores e também o fato de manterem fiscalizações, pagamentos e entregas de serviços em ordem.
Para Oswaldo Quintiliano Junior, o mesmo acontece com as grandes empresas brasileiras que já perceberam que a responsabilidade social valoriza a sua marca. O Grupo Pão de Açúcar, o Boticário, a Natura e a Coca-Cola, por exemplo já puderam perceber que quanto mais investirem no bem estar social da comunidade, mas vai haver um retorno positivo para a marca. No futuro os produtos vão trazer um selo dizendo que a empresa que faz aquele item é responsável, diz.
De acordo com Elis Angela dos Anjos, já existem pesquisas que mostram que 22% dos consumidores já punem as empresas na hora da compra optando por aquelas que praticam a responsabilidade social. Ou seja, o mercado caminha para dividir as empresas entre praticantes e não-praticantes num futuro próximo. É uma questão de tempo. Pelo que a gente observa, as empresas, grandes ou não vão ter que entrar no ritmo de responsabilidade social para poder sobreviver no mercado. É uma tendência, aponta Bodo.
Questão de sobrevivência
Para Elis dos Anjos, a tendência é de certa forma impositiva. Segundo ela, se não for por uma questão de ética ou compromisso com a sociedade, a empresa terá que adotar a responsabilidade social como prática por uma questão estratégica, por pura necessidade de sobrevivência, já que o preço e a qualidade dos produtos tendem a não vão ser mais os grandes diferenciais na hora da compra. Além disso, vai ser uma grande vantagem para a empresa ter a sua marca exposta na mídia associada a algo positivo para a sociedade, lembra Sette. É uma troca com a comunidade, para a empresa se instalar e sobreviver dentro de uma sociedade, a sociedade tem que contribuir e a indústria por sua vez tem dar o retorno, senão vai ser excluída, afirma Elis dos Anjos.