O ano de 2001 foi marcado por fatos que comprometeram o cumprimento do planejamento efetuado no ano anterior. O ambiente de 2000 foi favorável, notadamente no setor industrial. Todavia, a prática de 2001 foi sofrível. Crise energética, atentado nos EUA, crises no Japão,Alemanha e Argentina afetaram decisivamente o nível de atividade econômica no Brasil. Os avanços sociais ficaram aquém da real necessidade da população e, novamente, a classe média continuou pagando um preço elevado para manter a estabilidade da moeda.
Foi um ano que nos forçou a amadurecer. Jamais serão traçados cenários que não levem em consideração a falta de planejamento do Estado e as crises externas. Essas variáveis serão sempre mencionadas como fatores que podem afetar as projeções. Viraremos o ano com juros anuais de 19%, com inflação acima da meta estabelecida (fecharemos acima dos 7% ao ano), câmbio mais calmo, balança comercial com superávit e um crescimento econômico sofrível - no máximo 1,7%. A partir desses números podemos apontar: câmbio sendo desvalorizado no patamar da inflação; juros reais em queda; inflação na casa dos 5% ao ano; balança comercial mantendo sua recuperação; PIB crescendo na casa dos 2%.
Será um ano de Copa do Mundo e eleições, que centralizarão a atenção da população. A máquina estatal poderá ser utilizada para garantir visibilidade ao candidato do governo. Isso pode implicar em maiores gastos, afrouxando um pouco as políticas fiscal e monetária. As contas externas continuarão sendo um grande desafio, todavia, a âncora monetária ainda será o instrumento de controle econômico (mesmo porque não há tempo para mais nada para esse governo).
Quem amadureceu com os fatos de 2001 poderá passar um ano mais tranqüilo, mas jamais poderemos abrir a guarda, pois ainda temos inúmeros pontos frágeis na condução da economia brasileira. Mas uma coisa nos parece certa: a marca do governo FHC será o controle da inflação, custe o que custar. A herança deste governo não é nada animadora, contudo, considerando que todas as conquistas do grosso da população sempre foram com muito trabalho, 2002 não será diferente. Se o governo não ajudar, se não atrapalhar será uma grande coisa. Nosso desejo é que você que nos prestigiou o ano todo seja um dos que fechará o ano honrosamente, senão mais rico em dinheiro (se isso não ocorreu não esmoreça, você não está sozinho), ao menos mais maduro, garantindo enfrentar o dia-a-dia de forma digna e fazendo a diferença.
Um grande 2002 a todos nós! Mais maduros!
(*) Reinaldo Cafeo é delegado do Corecom, economista e professor na ITE