Regional

MP deve apurar agressão a jornalista

Por Andréa Mesquita | Tribuna Impressa
| Tempo de leitura: 4 min

O vereador Anuar Filho (PPS) pretende acionar o Ministério Público (MP), para que apure os fatos envolvendo os fotógrafos da Tribuna Impresa, Daniel Barreto e Mastrangelo Reino, agredidos na última quinta-feira pelo advogado consultor da Prefeitura de Araraquara, Luiz Wolgran Teixeira Ferreira, e o segurança João Corrêa da Paixão.

Ele também pretende que a Câmara inicie uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar licitações na cidade. Elias Chediek Neto (PMDB) também quer a criação de uma CEI, que investigue o episódio envolvendo os fotógrafos.

O líder do governo na Câmara, Edmilson de Nola Sá (PT), classifica a atitude de Anuar como “política”, e afirma que não há necessidade de se investigar o processo licitatório, mas defende uma investigação rigorosa por parte da polícia em relação à agressão.

Anuar Filho deixa claro que não está ainda acusando ninguém, e que não sabe se realmente havia pessoas da empresa vencedora da licitação do lixo na mesa. “Mas se o MP apurar que o fato realmente aconteceu, ou seja, a reunião entre a Comissão e empresas que participaram do processo de licitação, aberto anteontem, isso é crime de improbidade administrativa”, afirma.

Durante o programa “Jornal da Cidade”, da Rádio Morada do Sol, ele questionou ao vivo Souza, perguntando se Wolgran ainda tinha contrato com a Prefeitura, e ele disse que não, que havia vencido em novembro. “Por que então ele estava presente ao processo de licitação? Ele não tem direito, como cidadão comum, de ter acesso a documentação nenhuma”

O parlamentar também irá propor à Câmara Municipal a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), para apurar licitações na cidade. Ele diz que não se lembra de ter visto tanta confusão em tantas licitações importantes (devido aos seus valores), antes de 2001. “Pedi ao Ademir que tenha o bom senso de se afastar da Comissão enquanto isso não for apurado, e pedi também que o prefeito Edinho Silva (PT) se digne a afastá-lo, se ele mesmo não pedir seu afastamento. Se ele não tiver envolvimento nenhum, terá direito de voltar ao cargo”.

Para o vereador, a agressão ao fotógrafo foi mais uma prova de que havia algo para ser escondido. “Quando tudo está bem todo mundo adora ser fotografado e aparecer no jornal. A partir do momento que foi tirada uma foto e que, por conseqüência, foram agredidos os fotógrafos, o fato causa estranheza e uma surpresa”

“A agressão é prova de que a administração atual está mal acompanhada. Não posso afirmar qual a ligação que elas têm com o Poder Público, mas se são tão amigas ao ponto de saírem para jantar, o governo está mal acompanhado”.

Chediek também acredita que será necessária a abertura de uma CEI, devido à gravidade dos fatos que ocorreram. “O encaminhamento seria esse, montar a CEI, investigar a agressão e no fim o processo licitatório. Como essas pessoas podem agredir jornalistas? Alguma coisa alguém devem”.

Carlos Manço (PPB) afirma que irá pelo menos apresentar um manifesto de repúdio sobre o que aconteceu com os fotógrafos do jornal. “Sobre outros procedimentos ainda preciso conversar com outras pessoas para ver o que será feito”.

Para o vereador Ronaldo Napeloso (PPS) o episódio teve uma repercussão extremamente negativa na cidade. “De repente se encontram empresários com funcionários da Prefeitura dentro de um ambiente público, e eu acho que fica uma situação ruim para a administração”

Eduardo Lauand (PSDB) diz que o fato levanta um problema sério sobre a coerção em relação à imprensa. “Temos uma comissão para investigar as atividades da Prefeitura, e a Tribuna devia encaminhar um pedido para que a comissão verifique esse caso”

Rigor

Edmilson de Nola Sá espera que o rigor das apurações se efetive e que a Polícia, da maneira mais rápida e transparente o possível, busque punir os responsáveis.

“Mas não tenho condições de dizer o que houve lá dentro. Não sei, se tivesse qualquer tipo de mácula nessa situação (do jantar), as pessoas não iriam estar em público”, ressalta.

Quanto à declaração de Anuar Filho, Edmilson é categórico. “Eu acho que não precisa fazer nada. Já houve quatro verificações do Tribunal de Contas do Estado (TCE), e a forma as licitações têm sido feitas, com elogios do TCE, ninguém fala”. Ele considera a posição do Anuar política, “de oposição mesmo”.

Os fotógrafos da Tribuna foram agredidos após registrarem um jantar em que estavam presentes o presidente da Comissão de Licitações da Prefeitura, Ademir de Souza, o consultor, o segurança e licitantes da concorrência do lixo.

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