O primeiro investimento do Departamento de Água e Esgoto (DAE) para melhorar o sistema de abastecimento em Bauru será a construção de um novo reservatório, com capacidade para armazenar 3 milhões de litros. O presidente da autarquia, Sérgio Macedo, informa que o processo de licitação para a obra deverá ser iniciado ainda neste mês. O custo está estimado em R$ 450 mil.
“O reservatório ficará no Núcleo 9 de Julho, para atender dez bairros da região Noroeste da cidade, incluindo os Parques Jaraguá, Roosevelt e Santa Edwirges. Não chega a ser uma obra urgente, mas é a mais importante para nós na situação atual. A previsão é fazermos mais dois até o final do ano, mas vai depender de nossa disponibilidade financeira. Neste sentido, temos que manter os pés no chãoâ€, afirma.
Atualmente, Bauru tem 51 reservatórios. Juntos, eles armazenam quase 40 milhões de litros de água. Questionado, Macedo alega que isso é mais do que é recomendado para municípios deste porte (30 milhões). “Mas a estatística não representa muito, porque temos que garantir reservação suficiente para 8 horas de consumo em cada ponto da cidade. Em alguns lugares, ainda precisamos construirâ€, comenta.
O presidente do DAE salienta que reserva nunca é demais, nunca é suficiente e precisa ser sempre aumentada. “Principalmente agora, com a questão energética. Existem períodos do dia (das 19 às 22 horas) em que a energia elétrica é mais cara. Seria interessante conseguirmos uma forma de reservar água para que, nesse horário, pudéssemos desligar o máximo de bombas possível. Assim, estaríamos baixando nosso custo de produçãoâ€, explica.
Segundo ele, o faturamento mensal do DAE gira em torno de R$ 1,8 milhão. Só os gastos com energia elétrica chegam a R$ 500 mil, conforme o mês e as condições de funcionamento do sistema.
Falta de energia
Outra justificativa para aumentar a capacidade de armazenamento da cidade é a prevenção. Macedo destaca que 57% da água distribuída na cidade vem de poços profundos espalhados por diversos bairros. Esta água é captada a uma profundidade que varia entre 300 e 500 metros, o que exige o uso de bombas elétricas. Da mesma forma, são necessários motores para mandar o produto aos reservatórios e para tirar daí e distribuir entre as residências. Resumindo, cada um dos 29 poços da cidade precisa de duas ou três bombas para funcionar.
Indagado sobre os riscos de um blecaute, Macedo confirma que uma paralisação dos motores por tempo prolongado seria um caos, pois não haveria como garantir o abastecimento. “Na semana passada, quando houve aquela queda de energia de uma hora, chegamos no limite. Por pouco não tivemos problemas com falta de água. Um apagão por mais tempo, seria um desastreâ€, adianta.
Ele explica que, quando o sistema pára por tempo prolongado e as tubulações esvaziam, pode entrar ar no sistema. Isso dificulta o enchimento dos tubos e a recuperação da pressão - que é o que leva a água até a caixa de cada residência. “No apagão de 1999 (quando vários Estados ficaram sem energia), levamos 36 horas para recuperar o abastecimento no Núcleo Geiselâ€, lembra Macedo.
Uma das soluções que vêm sendo adotadas por muitas empresas é a instalação de geradores. O presidente do DAE lembra que seriam necessários geradores para cada um dos 29 poços e 51 reservatórios, além de dois equipamentos de alta potência para mover os motores da ETA.
“Além disso, nossas unidades ficam em lugares ermos. Teríamos que contratar vigilância 24 horas, chegando a somas inviáveis. Fizemos um orçamento há alguns anos e vimos que é impossívelâ€, afirma Macedo.
Portanto, com a construção de novos reservatórios, o DAE estaria adotando uma postura preventiva aos blecautes e poderia alternar os horários de funcionamento das bombas para economizar energia e dinheiro.