Ser

Músicas e lembranças

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

A coordenadora de produção Stela Handa diz que não vive sem associar fatos ou pessoas com músicas. “Cada tipo de música lembra uma fase da minha vida, um tipo de pessoa que conheci”, diz. Stela conta que passou a adolescência ouvindo música, principalmente pelo rádio, o que lhe deu um gosto musical eclético que impossibilita a escolha de uma só música como “sua”. “Ouvi muito Paralamas, Legião, RPM, Engenheiros... Quando ouço essas músicas hoje, faço uma viagem ao passado. O legal é que meus amigos da minha idade também sentem isso com as mesmas músicas, o que acaba sendo uma forma de afinidade”, diz a coordenadora, que tinha uma “música-tema” para cada namorado na adolescência. “Agora não lembro mais de nenhuma”, despista.

A assistente de operações Mirian Sasaki, assim como Stela, tem uma trilha sonora para tudo. “Misturo emoções e músicas e sempre tenho várias lembranças”, revela. Ouvir qualquer canção dos Beatles, por exemplo, para ela é voltar à infância. “Cresci ouvindo Beatles, Led Zeppelin, Pink Floyd, Queen, porque a minha mãe gostava muito, então é quase automático”, diz. Para Mirian, a música é tão presente em sua vida que fica difícil escapar de uma lembrança ao ouvir um CD que não seja novo. A música “Hotel California”, do grupo americano Eagles, é uma das que podem ser consideradas especiais. “Ela apareceu em várias fases da minha vida”, explica.

Ainda lembro

A universitária Eliana Caparroz Teixeira e o comerciário Júlio César Santos têm a mesma música como tema favorito: “Ainda Lembro”, interpretada por Marisa Monte e Ed Motta. As razões, porém, são diferentes. “Gosto da música porque, como o seu título diz, ainda lembro de uma pessoa que foi muito importante na minha vida”, explica a universitária se referindo a um antigo amor. Na época do namoro, Eliana não conhecia a canção, que passou a “fazer sentido”, como explica, pela letra, muito tempo depois do fim do romance. “Lembro dele porque as coisas que ela diz na música poderiam ter saído da minha boca”, revela.

Para Santos, por outro lado, a canção traz saudade do tempo em viajava para ver a namorada, hoje sua esposa. “Foi na época que a música foi lançada e tocava muito no rádio, parecia que toda vez que estava na estrada, ela tocava”, lembra. De tanto ouvir a música, o comerciário, que confessa associar as canções às fases da vida, acabou se tornando fã de Marisa Monte. “Tenho todos os seus discos, mas não ouço ‘Ainda Lembro’ porque cansei”, explica.

Lembranças nem tão boas

Existem pessoas que fogem de certas canções porque elas lhes trazem lembranças ruins. “Não gosto de ouvir ‘Father Figure’, do George Michael, porque me faz lembrar de uma pessoa que me fez muito mal”, conta timidamente a secretária Josely Santana Assis. A música era, segundo ela, uma das favoritas da sua irmã e por isso não parava de ser tocada em sua casa. Nessa época, Josely conheceu um rapaz, com quem veio a noivar e mais tarde romper o romance por causa de uma traição. “Era como se tudo o que estivesse acontecendo na minha vida tivesse aquela música no fundo. Quantas vezes não chorei ouvindo essa música”, comenta. “Gosto mais de ritmos alegres, para dançar, assim não tem como ficar triste”.

Para o auxiliar administrativo Walter Álvares Jr., um dos sons mais irritantes que podem existir na vida é a música de Kenny G. que foi tema do filme “Tudo Por Amor”. “Além de chata, a música me faz lembrar de uma época horrível da minha vida, que foi quando os meus pais se separaram”, lembra. Álvares se recorda que o tema do filme foi usado em uma novela que sua mãe assistia e por isso a associação se tornou inevitável. “Ela sofreu muito e sobrou para mim. Se pudesse, destruía todos os discos com essa música”, diz, exagerando na raiva.

Música para conquistar

“A música da minha vida é ‘Queixa’, do Caetano Veloso, afirma, sem pestanejar, o universitário Luís Antônio de Paula. A razão pelo amor à canção é que a sua letra foi usada por de Paula para conquistar não só uma, mas duas namoradas. “Sempre gostei muito dessa música e um dia decidi mandá-la por escrito para uma menina que estava a fim. Acho que ela também gostava do Caetano, porque deu certo”, conta. Mas a relação do universitário com a música não tinha terminado. O romance com a “fã do Caetano” já havia terminado há alguns meses quando ele resolveu “aplicar” de novo o golpe. “Conquistei outra namorada, por isso não posso reclamar quando ouço essa música. Minhas lembranças são sempre boas”, declara.

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