Ser

A garota do pôster

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 5 min

Em início de carreira, a modelo da Polo Models, Paula Carpannezi, 19 anos, está sentindo na pele como é ser uma pessoa reconhecida na rua por causa de uma campanha que fez para uma marca de cerveja. â€œÉ estranho”, diz Paula, que aguarda o resultado do vestibular que fez para o curso de engenharia civil, carreira que pretende seguir junto com a de modelo, enquanto a idade permitir. Na entrevista a seguir, Paula conta como se tornou modelo, quase que “por acaso”, e seus planos para o futuro, que podem incluir até ensaios fotográficos mais ousados.

Jornal da Cidade - Como você foi escolhida para ser a “garota da cerveja”? Paula Carpannezi - O cliente pediu um perfil e a agência selecionou algumas modelos dentro desse perfil. Foram oito meninas no total, e depois três foram pré-selecionadas. Daí teve um teste de fotos eu fui a escolhida. Eu vim fazer o teste sem expectativa, achando que iria fazer só as fotos, mas não ser escolhida.

JC - E quando soube que tinha sido a escolhida? Carpannezi - Quando fui selecionada entre as três finais, achei que poderia ser escolhida e fiquei com mais esperança e vontade de fazer o trabalho. Depois de um mês - que para mim foi uma eternidade -, me avisaram que eu tinha sido escolhida. Fiquei muito feliz.

JC - Nos últimos anos, as modelos que fizeram campanhas para marcas de cervejas, como a Luize Altenholfen, a Ellen Roche e a Maryeva, e também de refrigerantes, como a Michelle Machri e a Daniela Cicarreli, tiveram suas carreiras impulsionadas. Você chegou a pensar nisso quando foi escolhida? Carpannezi - Pensei e isso é o que eu mais quero, que com esse trabalho surjam outros. Por enquanto, esse trabalho é o que eu fiz de maior destaque.

JC - Qual a sensação de entrar num local com o seu pôster na parede? Carpannezi - É diferente, nunca tinha passado por isso. Algumas pessoas me reconhecem pelo cartaz e comentam, perguntam. Entrar num lugar e me ver na parede também é muito estranho. A primeira vez foi muito esquisita, agora estou me acostumando.

JC - Você sempre quis ser modelo? Carpannezi - Não. Sempre gostei de tirar fotos, mas nunca pensei em me tornar modelo. Procurei a agência, a Polo Models, para fazer um book e a Cláudia me falou de um curso de modelos. Comecei a fazer o curso, que era de cinco meses, e no quarto mês os trabalhos foram pintando. Isso foi em 2000.

JC - Antes de fazer a campanha para a marca de cerveja, que outro trabalho seu tinha tido mais destaque? Carpannezi - Fiz um catálogo inteiro de biquínis para ser comercializado nos Estados Unidos e alguns países da Europa.

JC - Você continua estudando? Carpannezi - Continua. Acabei de fazer o vestibular para o curso de engenharia civil. Estou esperando os resultados.

JC - Se passar, você vai continuar a ser modelo? Carpannezi - Vou continuar a ser modelo mesmo que tenha que mudar de cidade. Essa carreira não é muito longa, por isso não vou abandonar. Acho que até os 22 ou 23 anos posso ser modelo, por isso não quero parar antes. Mesmo assim, não vou deixar de estudar. Quero fazer as duas coisas.

JC - Como a sua família encarou sua entrada na profissão? Carpannezi - Eles adoraram e hoje me incentivam bastante e sempre me levam para fazer as fotos. Eles nunca acharam ruim. Eu faço mais trabalhos de biquíni, lingerie e meu pai nunca achou ruim, para ele é normal.Ele acha legal.

JC - E o seu namorado? Carpannezi - No começo ele achava “meio estranho”, porque achava que não era nada sério. Agora eu acho que ele ainda não gosta muito, mas pelo menos não fala nada. Às vezes vejo que ele até fica empolgado quando vê um cartaz com a minha foto. Ele vem me falar...

JC - Se a campanha da cerveja migrar para a televisão, você faria o comercial? Carpannezi - Se eles me escolhessem de novo, faria.

JC - Você posaria nua para uma revista? Carpannezi - Depende da proposta e depende do tipo de foto. Hoje fazem fotos de pessoas nuas que não ficam vulgares, são mais artísticas. Não tenho preconceito desse tipo de trabalho. Se a proposta for interessante...

JC - O que você classificaria como sendo a melhor coisa na carreira de modelo? Carpannezi - O reconhecimento das pessoas, o fato de ser reconhecida é legal.

JC - E a pior? Carpannezi - Essa semana eu disse para uma pessoa que queria fazer faculdade de engenharia e ela perguntou: “mas você vai fazer engenharia?”, como quem quer dizer que por eu ser modelo não posso querer estudar. Como se uma pessoa bonita não pudesse ser inteligente, o que é um grande preconceito. Já fizeram esse tipo de comentário várias vezes.

JC - Ser bonita é difícil... Carpannezi - Por esse lado, é.

JC - Você acha melhor fazer fotos ou desfilar? Carpannezi - Gosto das duas coisas, mas por causa do meu tipo físico meu negócio são mais as fotos. Não tenho altura suficiente para a passarela, mas nas vezes em que desfilei, adorei. É rápido, mais fácil do que fazer fotos. Um ensaio fotográfico exige mais expressão, mais concentração.

JC - Você acha que chama mais a atenção do público masculino agora depois que fez a campanha da cerveja? Carpannezi - Acho que sim, mas isso aconteceu logo depois que eu virei modelo, porque passei a me cuidar mais.

JC - Você sofre muito para cuidar do visual? Carpannezi - Não. Faço academia, como muita gente faz, mas não tenho nenhuma rotina em especial. Acho que ainda sou um pouco relaxada com isso, tem gente que passa creme em todas as parte do corpo, mas eu ainda não me acostumei com isso. O que eu faço é não sair de casa sem um pouquinho de maquiagem e com qualquer roupa. Também não me preocupo em emagrecer, apenas não tomo refrigerante e procuro não comer muita gordura. Antes de entrar na agência, queria muito engordar porque me achava muito magrela. Depois que entrei, parei com isso, mas daí, para fazer a campanha da cerveja tive que emagrecer um pouquinho. Nunca tinha feito regime antes.

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