Regional

Dois Córregos luta por prédio histórico

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

Dois Córregos - Em meio às comemorações do aniversário da cidade, a Organização Não-Governamental (ONG) Terra Viva e a Prefeitura Municipal lutam para transformar em realidade um sonho antigo. Eles querem comprar a estação ferroviária da cidade, que passou às mãos do Governo Federal em 1998, em troca das dívidas do Governo do Estado de São Paulo.

Os interessados na compra da estação acusam a empresa de ter abandonado o prédio, que estaria servindo de abrigo a mendigos e consumidores de droga. Moradores de bairros vizinhos também reclamam da falta de segurança oferecida pelo local, que já foi cenário para o longa-metragem “Dois Córregos”, do cineasta Carlos Reichenbach.

Em julho do ano passado, um incêndio provocado por dois menores destruiu parcialmente a estação. Duas semanas antes, a ONG Terra Viva havia comprado vários objetos históricos que estavam abandonados dentro de algumas salas do prédio.

A aquisição do imóvel faz parte também da política adotada pela Prefeitura de querer transformar a cidade num referencial turístico na região, a exemplo de Barra Bonita e Brotas.

Firme nesse propósito, o prefeito José Agostino Salata (PDT) abriu os cofres públicos para bancar uma das festas carnavalescas mais promissora da região. Este ano, a Prefeitura vai gastar algo em torno de R$ 15 mil durante as quatro noites de Carnaval. A festa será aberta ao público, nas ruas centrais da cidade, e terá até mesmo desfile de escola de samba, um dos únicos na região, este ano.

Buscando garantir o sucesso de seu investimento, o prefeito chegou a comprar 120 fantasias das escolas de samba Rosas de Ouro (SP) e Imperatriz Leopoldinense (RJ), a um custo de R$ 5 mil. Tudo para ter o maior número possível de turistas na cidade, durante o Carnaval.

Pólo cultural

ONG e Prefeitura querem transformar em pólo cultural as salas da estação ferroviária, que hoje estão cheias de sujeira, acumulada ao longo dos anos de abandono.

“Em princípio, estaremos fazendo ali um pólo cultural, onde seriam desenvolvidas múltiplas atividades. O próprio museu municipal poderia ser instalado lá. Enfim, ações voltadas sempre ao interesse turístico”, revelou a assessora de gabinete, Shirlei Aparecida Fávaro.

As negociações visando a compra do prédio vêm se arrastando há anos. E só recentemente a Prefeitura descobriu que estava negociando com as pessoas erradas.

“Nós iniciamos a negociação através do escritório da Rede Ferroviária Federal (RFFSA - responsável pela estação de Dois Córregos), em São Paulo. Mas, na verdade, quem está comandando esse processo de liquidação dos imóveis é o escritório do Rio de Janeiro. Então, nós estávamos no caminho errado e tivemos que reiniciar todo o processo de compra da estação”, informou o chefe de gabinete, Waldemar Todino.

Segundo ele, essa descoberta deu-se após a entrada da ONG Terra Viva nas negociações. A partir daí, os contatos com o escritório da RFFSA, no Rio de Janeiro, tornaram-se mais estreitos e a proposta de compra do imóvel, ao que tudo indica, começou a caminhar.

Na quarta-feira passada, um engenheiro da Nossa Caixa esteve na cidade fazendo uma avaliação do imóvel. Segundo informou Todino, o próximo passo agora é a Nossa Caixa informar a RFFSA sobre o valor do prédio. Feito isso, os interessados devem voltar à mesa de negociação para discutir o valor do prédio. Todino, entretanto, não tem idéia de quando isso irá acontecer.

“Falar em prazo é difícil, porque não depende da gente. Nós apenas esperamos que (o fim da negociação) seja o mais rápido possível”, disse ele.

Após concluída a avaliação do prédio da estação, Todino adiantou que a Prefeitura vai reunir seus representantes no negócio para estudar a necessidade ou não de apresentar uma contra-proposta.

No ano passado, em entrevista ao Jornal da Cidade o prefeito Salata revelou que a RFFSA havia pedido um valor próximo a R$ 300 mil pelo imóvel. Na época, ele não aceitou a proposta por considerá-la muito alta. Desta vez, o valor deve ser mais baixo, em razão do incêndio do ano passado, que acabou desvalorizando o prédio.

Aniversário

Dois Córregos completa amanhã 146 anos de fundação. Para comemorar a data, a Prefeitura está realizando, desde a última sexta-feira, alguns eventos culturais, esportivos e religiosos.

Um dos eventos mais significativos, senão o principal, foi a inauguração da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Misericórdia, ontem, às 10 horas.

Para hoje, estão previstas competições esportivas, shows de pagode e sertanejo e um culto de ação de graças, na igreja Presbiteriana (ver programação completa nesta página). As festividades serão encerradas amanhã, com um baile em praça pública.

Programação

Dia 3/2

- 15h30, Show com Batuque Pop.

- 16h30, Prova Pedestre Cidade de Dois Córregos

- 19h, Culto de Ação de Graças pelo Aniversário da Cidade na Igreja Presbiteriana.

- 20h30, Show com Célio e Nando e Banda Lobo da Estrada.

Dia 4/2

- 9h15, no Estádio Municipal do Jardim Paulista - Final dos Jogos de Verão, modalidade Futebol Juniores.

- 13h30, II Gincana de Aniversário.

- 19h, Missa em Ação de Graças pelo Aniversário da Cidade na Igreja Matriz do Divino Espírito Santo.

- 20h30, Show com Saigon Banda Show

Prédio é cópia da estação de Marselha

Construída no início do século passado, a estação ferroviária de Dois Córregos foi inspirada em uma arquitetura francesa. Ela é uma cópia da antiga estação de Marselha, destruída durante a Segunda Guerra Mundial.

O local foi palco de algumas cenas do filme “Dois Córregos”, do cineasta brasileiro Carlos Reichenbach, e rodou o mundo todo, em diversas apresentações em festivais de cinema.

Apesar de seu valor histórico e cultural, o prédio está abandonado desde que passou às mãos da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA). No dia 11 de julho do ano passado, dois adolescentes botaram fogo em uma das salas da estação, que ficou completamente destruída.

Em depoimento na delegacia, eles revelaram que haviam feito uma pequena fogueira dentro da sala, mas que não tinham a intenção de provocar o incêndio que se seguiu. Ao notarem a dimensão do problema que tinham criado, os dois saíram correndo, mas foram notados por algumas pessoas que moram próximas ao local. Eles foram ouvidos pela polícia e liberados em seguida.

Uma campanha lançada semana passada por moradores e pela ONG Terra Viva busca arrecadar recursos para auxiliar na compra e na restauração do prédio. Segundo os organizadores do movimento, para isso seria preciso arrecadar algo em torno de R$ 1 milhão.

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