Regional

Grupo quer bancos como parceiros na reestruturação

(*) Carlos Corrêa
| Tempo de leitura: 2 min

Araraquara - O Grupo Inepar quer incluir os bancos credores no processo de reestruturação da empresa. Esta semana, a empresa iniciou a segunda fase do processo de modernização administrativa, que deve estar concluída em 60 dias. A reestruturação é uma exigência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que deseja ver implantado na Inepar o sistema de governança corporativa.

O processo foi iniciado em setembro do ano passado, com a nomeação de Roberto Lima Neto, ex-presidente da CSN e ex-diretor do próprio BNDES como presidente do Grupo. Negociada durante três meses, a troca de comando foi determinante para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) autorizar o andamento do plano de emissão de R$ 270 milhões em debêntures conversíveis em ações. A liberação visa disponibilizar capital de giro, além de alterar o perfil do endividamento da empresa, que gira em torno de R$ 350,7 milhões.

A primeira fase da reestruturação já foi concluída. O bloco controlador da empresa, liderado pelos sócios Atilano de Oms, Jauneval de Oms e Mário Celso Petráglia (detentores de 60% das ações ordinárias), resolveu acatar as sugestões apresentadas pelos consultores Andrea Callabi e Cássio Kasseb. As propostas visam transformar a Inepar S/A Indústria e Construções numa empresa onde as decisões estratégicas serão tomadas em conjunto com os acionistas.

Os consultores também sugeriram que os bancos credores, que concentram cerca de R$ 100 milhões do passivo da companhia, adiram ao projeto de reestruturação. A Inepar não confirma, mas a Tribuna Impressa apurou que a idéia é convencer os bancos a conceder carência para pagamento das dívidas por um prazo mínimo de dois anos e integrar-se ao grupo como acionistas, recebendo debentures conversíveis em ações.

O processo de reestruturação determinou o fim da atuação do Grupo Inepar na área de telecomunicações. A empresa optou por decretar o fim da Inepar Telecom S/A, após concluir que o mercado exige grande concentração de investimentos, além de ser dominado por grandes grupos estrangeiros, como Telefonica e Portugal Telecom. A Inepar permanece com cinco unidades: Construções e Serviços, Engenharia de Petróleo, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica, Alianças Estratégicas (negócios) e Bens de Capital (Araraquara).

Salários

A direção da Inepar promete regularizar neste mês o pagamento de salários aos funcionários de todas as unidades do Grupo, que está atrasado desde novembro do ano passado. Para tanto, a conclusão do processo de reestruturação é fundamental. Dela depende a confirmação da autorização da CVM para emissão de debentures conversíveis em ações.

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