O “profissional da violência†nasce em lares desestruturados e tende a repetir as agressões recebidas pelos pais. Para se tornar um profissional dessa área, a pessoa tem que ter sofrido ou presenciado violência na infância. A tese é do coronelda reserva, Nilson Giraldi, que elaborou um estudo sobre o assunto para ser enviado para a Secretaria de Segurança Pública.
Giraldi ainda não sabe o que será feito com o estudo elaborado por ele. “Estou fazendo sugestões,mas não sei se serão usadas.â€
A indústria da violência é a que mais cresce e prospera no Brasil, de acordo com o ele. “Funciona dentro dos lares, em mais de 90% dos casos e é passada de pai para filho.â€
Para solucionar o problema da violência doméstica, Giraldi aponta a educação. “Educar os pais para que eles saibam tratar e educar seus filhosâ€. Sem isso, as fábricas de agressores continuarão jogando no mercado, milhares de novos profissionais.
O coronel acha que sem educar os pais não há solução. “Outras medidas funcionam somente sobre os efeitos.†O coronel sugere que parte do horário político gratuito seja utilizado para educar os pais, “já que eles elegeram a segurança pública como prioridade para seus discursos.â€
A violência urbana é estimulada por uma série de fatores. Para cada deles, o especialista apresenta uma solução. “A certeza da impunidade é estimulante para a violência. A certeza da punidade e da rapidez na aplicação das leis é fundamental para desestimulá-la. A tarefa é exclusiva e única do Estado, podendo a sociedade pressioná-lo.â€
Giraldi frisa que, no Brasil, apenas 1% dos autores de homicídios, estupros e seqüestros cumprem pena. Os outros 99% voltam para a criminalidade, o que faz com que o crime compense, no Brasil. “Temos cerca de 2,5 milhões de criminosos profissionais, número semelhante ao dos Estados Unidos. Lá, 2,2 milhões estão encarcerados. No Brasil, 10%, ou seja, 220 mil estão atrás das grades.â€
A polícia do Estado de São Paulo, segundo ele, prende em flagrante, quase 10 mil criminosos por mês, mais de 100 mil por ano.â€Deste total, pouquíssimos ficam presos, por culpa das Leis Penais e de Execuções Penais que não atendem as necessidades da sociedade.â€
Para ele, o Estado gasta muito com o preso e pouco com a educação da população. “Um preso custa R$ 800,00/mês. Um menor na Febem, R$ 1,5 mil e um aluno na escola pública de 1.º grau, R$ 70,00. A construção de uma cela em presídio de segurança máxima fica em torno de R$ 19 mil, enquanto uma casa popular custa R$ 7mil.â€
Integração das polícias
A integração das polícias é uma solução lógica na opinião de Giraldi. Ele acha que a verdadeira integração deve começar pelos comandos. “O cargo de secretário de Segurança Pública seria dividio entre um delegado de polícia e um coronel da PM; dois anos cada um, a partir do início de cada governo. O governador escolheria através de uma lista tríplice apresentada por cada corporação. Enquanto um estivesse como titular, o outro permaneceria como subcretário, ambos assessorados por um Conselho de Notáveis oriundos de suas corporações e de outras instituições especializadas.â€