Regional

Gabinete da Prefeitura defende titular da Comissão de Licitação

Por Andréa Mesquita | Tribuna Impressa
| Tempo de leitura: 4 min

Araraquara - O chefe de Gabinete da Prefeitura, João Farias, defendeu ontem o presidente da Comissão de Licitações, Ademir de Souza, no episódio envolvendo empresas licitantes do município. O governo acredita que Souza não tenha estado no restaurante Velho Armazém com licitantes e defende a posição de que “se isso tivesse ocorrido, não haveria problema nenhum”.

Farias afirmou ontem à Tribuna que acredita na versão de Ademir de Souza e da direção da empresa Limp Leão, que declararam em entrevista à Rádio Morada do Sol não ter conhecimento de nenhum de seus membros estar presente ao jantar.

Ele também disse que o advogado e consultor Luiz Wolgran Teixeira Ferreira foi contratado pela Prefeitura por um período de quatro meses, com remuneração em torno de R$ 13 mil mensais, para fazer a reestruturação da Secretaria de Administração, dentro do Setor de Compras, e dar um curso de requalificação de funcionários.

“O contrato venceu em novembro e havia um compromisso por parte do Wolgran, sem custo, de ele fazer um acompanhamento, até o mês de fevereiro, do desenvolvimento do trabalho dos funcionários após esse processo de adequação ao novo sistema de compras da Prefeitura, e dos processos antigos da administração que estavam parados por problemas”, disse.

Quanto aos fatos ocorridos no Velho Armazém, Farias afirmou que a relação da administração com Wolgran termina no expediente da Prefeitura. “O que ele faz da porta da Prefeitura para fora é um problema pessoal dele. Se você me perguntar o que achamos do ato que aconteceu com o fotógrafo, aí vamos dizer que é lamentável, condenável e injustificável”.

O chefe de Gabinete também falou que o essencial para a Prefeitura, em todo o caso, são as informações dadas por Souza e pela direção da Limp Leão sobre o episódio . “Se a Tribuna tem uma fonte, que prove isso, caso contrário terá de responder por ter publicado a matéria. A licitação do lixo e todas as outras desta administração são públicas. Se a Câmara Municipal e o Ministério Público quiserem, podem investigar”.

Ele afirma que a licitação transcorreu da forma mais transparente possível, com a participação de uma série de empresas e que a administração não vai admitir que façam desse processo um “palco político para desgastar a imagem do governo onde não tem desgaste”.

A secretária de Governo, Clélia Mara Santos Ferrari, disse à Tribuna que não sabia o valor do salário de Wolgran, mas poderia pegar o contrato e informar a reportagem. Ela também comentou que, até onde estava informada, o contrato já havia terminado.

Para Clélia, não há nenhum problema no fato de Souza e Wolgran estarem jantando com membros das empresas licitantes. “Uma coisa é o episódio lamentável ocorrido anteontem. Outra coisa são os atos que a Prefeitura faz aqui dentro. E aqui dentro temos absoluto controle da licitude dos atos do presidente da comissão”.

A secretária também diz que não é possível ter um controle sobre o que os servidores fazem fora da Prefeitura. “Até onde me consta, os processos da Prefeitura são absolutamente lícitos, por eles a gente vai até às varas dos tribunais para garantir que sejam exatamente o que são hoje: lícitos, honestos e probos. Agora, o que as pessoas fazem fora da Prefeitura pode até ser questionável, mas onde está o ato ilícito, onde está a falta de ética da conduta dessas pessoas?”.

Ao ser indagada então por que algumas pessoas deixaram a mesa correndo após Barreto chegar ao local, ela respondeu que o jornal deveria fazer essas perguntas na Justiça. “O fato da agressão eu acho profundamente lamentável, agora qual a motivação deles para isso eu não tenho condições de responder (...)”.

Para finalizar, ela também comentou que a licitação fechada na quinta-feira não havia sido presidida por Souza, mas por uma comissão especial. “Agora, qual a motivação de eles estarem juntos, isso nós vamos verificar. A priori, ainda que eu possa achar estranho, não posso condenar que pessoas que se conhecem saiam para jantar. Agora , a Prefeitura não tem nada a ver com isso, e muito menos com quem pagou a conta do jantar. Esta administração se pauta pela licitude dos seus atos”. O prefeito Edinho Silva (PT) não retornou a ligação do jornal até o fechamento desta edição.

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