São Paulo - Depois de 53 dias mantido refém, o publicitário Washington Olivetto, 50 anos, foi encontrado anteontem, por volta das 22h40, no segundo andar de um sobrado de classe média na rua Kansas, número 40, no Brooklin Novo (Zona Sul de São Paulo).
Moradores informaram à polícia que havia uma pessoa gritando no local e pedindo ajuda. Ao entrar na casa, policiais encontraram um homem que se identificou como Olivetto.
Segundo o soldado Gimenez, do 12º BPM, um dos primeiros a chegar no local, Olivetto teria dito "eu sou seqüestrado, graças a Deus vocês me acharam. Eu não vou esquecer", disse.
Com o cabelo mais comprido e visivelmente abatido, o publicitário foi levado para um hospital militar e em seguida para sua casa. Segundo a polícia, ele tinha de se segurar nas paredes para conseguir andar.
No cativeiro, segundo o soldado, havia muitos dicionários em língua estrangeira, muita roupa e comida estocada. "A casa era vigiada 24 horas por dia", disse ele. Havia câmeras espalhadas pelo quarto onde ele estava, além de todo o redor da casa. A sala de controle ficava no quarto ao lado de onde o publicitário estava. Rádios de comunicação interceptavam a presença da polícia.
A casa, segundo o mesmo policial, foi alugada há cerca de 70 dias.
Segundo a polícia, o seqüestro chegou ao fim após a prisão de parte de um grupo de seqüestradores em Serra Negra (150 km de São Paulo). A polícia chegou até os seqüestradores após o dono do imóvel ter estranhado o pagamento do aluguel em dólar.
O restante da quadrilha soube da prisão quando tentou contato com celulares do grupo. Durante toda a noite, a polícia tentou localizar os foragidos, sem sucesso. Na madrugada de sexta para sábado, o restante do grupo teria abandonado o cativeiro, deixando as janelas abertas.
Ainda segundo a polícia, o publicitário só começou a pedir socorro mais de 12 horas depois, após ter certeza de que não havia mais movimentação no local.
A polícia ainda não sabe quantas pessoas estão foragidas, mas as buscas continuariam durante toda a madrugada. Peritos foram ao local para tentar obter mais pistas do grupo.
Durante os 53 dias de seqüestro, a quadrilha teria mantido apenas três contatos com a família, que pediu para que imprensa e polícia ficassem de fora do caso. Parentes contrataram uma empresa britânica, especializada em gerenciamento de crises.
O primeiro contato teria sido feito uma semana depois do seqüestro, quando um entregador de uma floricultura entregou um buquê com um bilhete de apenas cinco linhas em letras de computador. "Estamos com o Olivetto, o tempo que ele vai permanecer com a gente depende de vocês." Olivetto foi seqüestrado na noite de 11 de dezembro, quando deixava a agência W/Brasil, de sua propriedade, e retornava para casa. O carro foi interceptado por homens vestindo coletes da Polícia Federal.
A estudante de medicina Aline Dota, 22 anos, vizinha da casa onde o publicitário foi encontrado, conta que estava em seu quarto, por volta de 22h, quando ouviu batidas na parede e alguém gritando por socorro.
Ela colocou o estetoscópio na parede e ouviu um homem dizer: "Estou preso aqui há 60 dias. Chame a polícia e as rádios".
Aline perguntou o nome dele. "Pode dizer que sou o publicitário Washington Olivetto", foi a resposta. Ela então ligou para a polícia. Aline calcula que eram 22h20. Em dez minutos, policiais chegaram ao local.
A estudante disse que nunca tinha ouvido nada suspeito. A casa, diz ela, era ocupada por dois homens de aparência de latino-americanos, um de meia idade e outro com cerca de 35 anos, e duas mulheres, uma ruiva e uma morena.
Segundo ela, anteontem (sábado) o grupo chegou em uma Saveiro bege. Entraram em disparada.
A mãe da estudante disse já ter visto na casa um Passat preto, com placa final 4100. Os ocupantes da casa costumavam colocar a roupa para secar de madrugada. Tinham um cão pastor alemão, que ficou para trás.