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Moralizar, eis a questão!

N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Não se deve estranhar a disposição do governador Geraldo Alckmin de alinhavar, desde já, o processo de enxugamento de sua máquina administrativa, pois isso é a ordem natural das coisas em épocas vizinhas ou aproximadas de eleições populares. O governo anterior nomeou demais, substituindo isto e aquilo em seu secretariado e, agora, o atual considera justo botar gente para correr do setor.

Não se veja, portanto, nada de incomum no direcionamento que Alckmin decidiu adotar em seu governo, até porque ele não está sozinho na jornada, haja vista que, segundo as notícias veiculadas pela mídia, a maioria dos colegas em exercício nos outros Estados está também pensando e agindo exatamente como o jovem regente bandeirante. O quadro que se pratica é nacional porque, sinceramente, ninguém ganha eleição neste País sem a alavanca de uma equipe politicamente preparada para tanto. E o gestor paulista sabe disso, ele que, ninguém duvida, hora para outra poderá deixar que os outros “falem mal mas falem de mim” e tentar sua continuidade à sombra do Palácio dos Bandeirantes.

Não deve ficar de fora, portanto, nestas vésperas de pleito, nem mesmo a administração federal, ainda que ela se confesse propensa a atuar unicamente como juiz eleitoral, não mostrando olhos apaixonados para algum dos candidatos à sua sucessão, porquanto pode muito bem deixar o dito pelo não dito... Então, por amor ou respeito à sinceridade (?) do governador não se pode concordar com que o homem tenha trocado maquinistas de sua máquina, ou seja, aqueles que não tenham sido nomeados por sua caneta.

Discorda-se, porém, da circunstância de que todas as vezes em que os governos desejem ouvir a voz das urnas voltem suas baterias contra secretários e outras faixas, normalmente cônscios e competentes, atiçando sobre eles seus cães ferozes e pondo-os a correr ofegantemente. Moralizar é preciso, mas somente onde isso seja imprescindível, em ocasiões exigentes, abstraídos naturalmente objetivos eleitoreiros. É uma atitude que precisa ser adotada em função da moral administrativa. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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